Representantes sindicais de Bangladesh, Camboja e Indonésia participaram de um encontro internacional para fortalecer negociações coletivas e garantir direitos humanos nas empresas multinacionais do setor.
A iniciativa reuniu redes sindicais das empresas Pou Chen, Crystal e Coats, que buscam estabelecer compromissos trabalhistas obrigatórios e ampliar a proteção dos trabalhadores envolvidos.
Entre os dias 13 e 15 de outubro, os participantes discutiram, em Daca, Bangladesh, estratégias para incorporar direitos humanos aos acordos coletivos de trabalho internacionais.
Além disso, o encontro integrou a segunda etapa de três oficinas promovidas pelo Centro de Competência em Devida Diligência em Direitos Humanos da IndustriALL.
O programa recebe apoio da agência alemã GIZ, em nome do Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, fortalecendo a cooperação sindical internacional.
Redes sindicais fortalecem a negociação coletiva
O projeto envolve cinco fábricas localizadas nos três países, incluindo unidades das empresas Pou Chen, Coats e Crystal, todas com representação sindical organizada localmente.
Além disso, trabalhadores e dirigentes sindicais participam das atividades para ampliar conhecimentos jurídicos e fortalecer a capacidade de negociação diante das grandes empresas multinacionais.
As redes já conquistaram avanços importantes. Em Bangladesh, trabalhadores da Crystal organizaram um sindicato, que atualmente negocia seu primeiro acordo coletivo com a empresa empregadora.
Enquanto isso, a rede Coats apoiou a organização sindical no Marrocos, ampliando a articulação internacional entre trabalhadores que enfrentam desafios semelhantes nas fábricas multinacionais.
No Camboja, sindicatos também discutem medidas contra o estresse térmico com a associação patronal TAFTAC, buscando condições de trabalho mais seguras para os trabalhadores locais.
Direitos humanos devem integrar acordos coletivos
Durante as atividades, Nazma Akter, presidente da Federação Sommilito Garments Sramik, incentivou os participantes a identificar problemas trabalhistas que poderiam enfrentar mediante negociações coletivas.
Os sindicalistas destacaram a importância de incluir cláusulas sobre salários, liberdade sindical, saúde e segurança, garantindo compromissos efetivos das empresas com os direitos dos trabalhadores.
Além disso, representantes analisaram acordos coletivos existentes e instrumentos internacionais para identificar mecanismos capazes de transformar compromissos empresariais em obrigações concretas e juridicamente exigíveis.
Florian Yelin, assessor jurídico e estratégico do Centro, explicou que compromissos genéricos de respeito aos direitos humanos não garantem proteção efetiva aos trabalhadores nas empresas.
Segundo ele, acordos sólidos precisam estabelecer obrigações vinculantes, comissões conjuntas, participação sindical e mecanismos de fiscalização capazes de assegurar o cumprimento das medidas negociadas coletivamente.
Combate ao assédio e proteção à saúde
Os participantes também elaboraram propostas de cláusulas sobre violência de gênero, assédio e segurança no trabalho, priorizando problemas enfrentados diariamente pelos trabalhadores nas fábricas.
Além disso, os sindicatos avaliaram instrumentos internacionais de proteção, indicadores salariais e mecanismos de denúncia para fortalecer a fiscalização das condições de trabalho nas empresas.
Um representante do Conselho de Sustentabilidade do Setor de Vestuário de Bangladesh apresentou experiências envolvendo inspeções independentes, acordos entre sindicatos e marcas e mecanismos de reclamação.
Essas iniciativas demonstram que instrumentos com fiscalização independente e participação sindical podem garantir maior efetividade do que compromissos empresariais voluntários sem mecanismos de responsabilização concreta.
IndustriALL defende participação sindical
Christina Hajagos-Clausen, diretora do setor têxtil e de vestuário da IndustriALL Global Union, destacou a importância de fortalecer a atuação sindical diante das novas exigências internacionais.
“A devida diligência em direitos humanos está passando de voluntária para obrigatória”, afirmou a dirigente, ressaltando a necessidade de ampliar o conhecimento sindical sobre esses instrumentos.
“Os sindicatos, desde o chão de fábrica até a liderança nacional, precisam saber como utilizá-la para fortalecer as relações industriais nos níveis fabril, nacional e internacional.”
Segundo Christina, o programa oferece oportunidades para desenvolver essas competências e ampliar a capacidade de intervenção dos sindicatos nas relações trabalhistas das grandes empresas multinacionais.
Próximo encontro acontecerá no Camboja
Por fim, os organizadores programaram a terceira oficina para janeiro de 2027, no Camboja, antes da conferência mundial dos setores têxtil e de vestuário.
A iniciativa reforça a importância da solidariedade internacional e da negociação coletiva para assegurar direitos, combater violações trabalhistas e fortalecer a organização dos trabalhadores globalmente.