Metalúrgicos de São José dos Campos e Jacareí iniciaram a semana com pressão em cima dos patrões pelo fim imediato da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Em assembleias realizadas nesta segunda-feira (19), eles exigiram que as mudanças já sejam feitas, sem o período de transição previsto na Emenda Constitucional 141, promulgada na sexta (16).
Assembleias foram realizadas pela manhã na Modirum Gespi, Gerdau e Armco. Na sexta, os trabalhadores da Prolind também aderiram à mobilização. Novas assembleias estão previstas para esta semana.
Além do diálogo com os trabalhadores, o Sindicato prepara uma ofensiva de negociações com as fábricas da região. A entidade começou a notificar as empresas também nesta segunda-feira (19).
Na categoria, poucas empresas adotam a escala 6x1, porém muitos trabalhadores cumprem jornadas superiores a 42 horas semanais. É o caso dos metalúrgicos da Bosch, Parker, Embraer, Latecoere e Sonaca, por exemplo.
“As empresas têm condições de acabar com a escala 6x1 e de reduzir a jornada imediatamente, sem esperar o período de transição. Até porque as multinacionais, principalmente as europeias, adotam jornadas bem menores no seu país de origem. Na Bosch, por exemplo, a jornada varia de 28 a 36 horas semanais na Alemanha. Na Bélgica, a jornada da Sonaca é de 35 horas semanais”, explica o diretor do Sindicato Arthur Cezário dos Santos.
Luta histórica
A luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário é histórica na categoria. Trata-se de uma bandeira defendida pelo Sindicato desde a década de 1970.
Na General Motors, os trabalhadores cumprem 40 horas semanais desde agosto de 2000, mas a luta começou muito antes. Em 1985, na greve histórica realizada na fábrica, os metalúrgicos conseguiram diminuir a jornada de 48 para 45 horas semanais. Em 1987, um ano antes da promulgação da atual Constituição, os trabalhadores da nossa categoria já trabalhavam 44 horas semanais.
Na Campanha Salarial 2026, metalúrgicos da Avibras conquistaram a redução da jornada de 44 para 42 horas por semana. Fruto da pressão dos trabalhadores, a empresa se comprometeu a negociar com o Sindicato a redução da jornada para 40 horas ainda este ano.
“Nosso histórico de luta comprova que é possível antecipar a redução da jornada. Mas é preciso que haja união e pressão em cima dos patrões. Por isso, todos os metalúrgicos estão convocados para a mobilização”, complementa Arthur.
Sindicato orienta trabalhadores
Durante as assembleias, o Sindicato orienta os trabalhadores sobre as mudanças na legislação. Quem tiver dúvidas, pode procurar os diretores da entidade.
Veja o que diz a Emenda Constitucional:
1. O que muda com a nova lei?
Os trabalhadores terão direito à escala 5x2, com semana de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. A lei também prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
2. Como será a redução da jornada?
A partir de 16 de dezembro, a jornada máxima será de 42 horas semanais. Em 16 de dezembro de 2027, o limite passará para 40 horas.
3. Haverá redução de salário?
Não. A mudança prevê a redução da jornada sem diminuição salarial.
4. O que o Sindicato defende?
O Sindicato defende que a jornada de 40 horas semanais entre em vigor imediatamente, sem período de transição.