O Sindicar (Sindicato dos Carregadores Autônomos de Hortifrutigranjeiros e Pescados em Centrais de Abastecimento de Alimentos de São Paulo) acaba de se filiar à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Criado em 1992, o sindicato representa cerca de 8 mil trabalhadores no estado, que atuam principalmente na movimentação de mercadorias em centrais de abastecimento, como o CEAGESP, na capital paulista, um dos principais entrepostos de distribuição de alimentos do país.
Essenciais para o abastecimento da população, os carregadores realizam um trabalho pesado e fundamental para que frutas, verduras, legumes, pescados e outros produtos cheguem aos consumidores. Apesar disso, a categoria enfrenta desafios relacionados à regulamentação profissional, condições de trabalho, formação e acesso a direitos.
Para o diretor-executivo do Sindicar, Edmilson Rodrigues Lima, a filiação amplia a capacidade de organização da categoria. “A CUT está presente em todo o estado, e isso é muito importante para nós, que temos base em todo o estado, fortalecendo nossa luta”, afirma.
A Secretaria de Organização e Política Sindical da CUT-SP já tem dado o apoio e suporte ao sindicato no processo burocrático e na orientação jurídica para o funcionamento das atividades sindicais.
“A filiação é uma importante decisão para a categoria e para a Central. Os trabalhadores são fundamentais na área de logística para o abastecimento alimentar da população e, infelizmente, exercem suas funções em condições bastante insalubres e pouco valorizadas. Ganha nossa Central e ganham os trabalhadores ao acumular força para sua negociação”, destaca Hélcio Marcelino, secretário de Organização e Política Sindical da CUT-SP.
Regulamentação e proteção
Uma das principais lutas do Sindicar é pela regulamentação e pelo reconhecimento dos direitos dos carregadores que atualmente trabalham como autônomos. A entidade defende que esses trabalhadores tenham acesso a melhores condições de proteção trabalhista e previdenciária, além de treinamento específico para o exercício da profissão.
A questão também está sendo discutida na Justiça. No caso dos trabalhadores que atuam nos entrepostos da CEAGESP, conhecidos como “chapas”, uma decisão da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu a possibilidade de enquadramento como Trabalhadores Avulsos Urbanos Não Portuários, conforme a Lei 12.023/2009.
Para o presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, a chegada do sindicato fortalece a organização de uma categoria fundamental para o funcionamento das cidades. “A filiação do Sindicar fortalece a organização de trabalhadores que exercem uma atividade essencial para o abastecimento da população. A CUT nasceu para organizar quem trabalha e enfrentar a precarização. Vamos somar forças com o sindicato para ampliar a representação, defender direitos e garantir que esses trabalhadores tenham voz, organização e condições dignas de trabalho”, diz.
Com a filiação, o Sindicar passa a integrar a CUT e amplia sua capacidade de organização e mobilização. Para os carregadores, a tarefa é transformar essa união em mais força para conquistar reconhecimento, proteção e dignidade no trabalho.