Notícia - A necessidade de uma nova ordem mundial

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento do presidente da CTB, Adilson Araújo, na Segunda Assembleia Pública Mundial, realizada em Moscou nos dias 18 e 19 de setembro.

É com profunda honra e senso de responsabilidade histórica que ocupo esta tribuna em Moscou, no marco da Segunda Assembleia Pública Mundial. Quero iniciar destacando o imenso simbolismo do momento em que nos reunimos. Nosso encontro ocorre em meio às celebrações do Dia Internacional da Paz, uma efeméride que não pode ser tratada como mera formalidade burocrática, mas sim como um chamado urgente à ação reflexiva e à resistência global.

Infelizmente, celebramos o desejo de paz em um dos momentos mais sombrios da história recente. Vivemos um tempo de profunda crise geopolítica. É notório o aguçamento dos conflitos políticos, o aprofundamento das contradições de classes, a polarização social e o retorno agressivo do protecionismo e das guerras comerciais e tecnológicas. Como subproduto direto dessa crise sistêmica, assistimos com horror ao avanço da extrema-direita e à emergência do nazi-fascismo em várias partes do globo, que explora o desespero e a desorganização social com Fake News, racismo e xenofobia.

As guerras prosseguem e se multiplicam no Oriente Médio, no Leste Europeu e na África. Assistimos, em tempo real e com profunda indignação, ao genocídio continuado contra o povo palestino e à ocupação ilegal de territórios árabes pelos sionistas israelenses. Não são poucos os analistas e historiadores que temem que os desdobramentos desses conflitos regionais e as provocações globais possam conduzir a humanidade a uma catastrófica Terceira Guerra Mundial.

Diante disso, precisamos ser categóricos: as guerras não interessam aos povos! Quem sangra nos campos de batalha são os mais pobres, são os filhos e filhas da classe trabalhadora. As guerras não servem à Humanidade. Por outro lado, elas servem perfeitamente aos propósitos de uma oligarquia internacional reacionária e parasitária. Uma elite que opera a salvo dos bombardeios, mas que extrai lucros bilionários da destruição e da morte. O maior exemplo disso é o complexo industrial-militar estadunidense, que transforma o sofrimento humano em dividendos para Wall Street. Os lucros auferidos pelas empresas armamentistas dispararam nos últimos anos.

Neste solo em que nos encontramos, convém lembrar Vladímir Lênin. O grande líder da Revolução Soviética, ainda no início do século XX, concluiu de forma científica que as guerras são inevitáveis sob a vigência do imperialismo. A história, infelizmente, lhe deu plena razão. Ao longo daquele século, o mundo sofreu duas guerras mundiais e dezenas de outros conflitos sangrentos promovidos pelas potências imperialistas. Especialmente pela potência que se estabeleceu como hegemônica após a Segunda Guerra: os Estados Unidos da América, responsáveis pelas tragédias humanitárias impostas aos povos da Coreia e do Vietnã, entre tantas outras intervenções criminosas.
Portanto, companheiros e companheiras, a lição histórica é clara: para evitar as guerras, é preciso superar o imperialismo.

É imperioso e urgente caminharmos rumo a uma nova ordem mundial. Uma ordem que seja verdadeiramente democrática, efetivamente multilateral e absolutamente sem intervenções na vida política de outras nações. Precisamos soterrar a lógica das hegemonias e dos hegemonismos. Devemos construir um arranjo internacional orientado para o desenvolvimento soberano e compartilhado dos povos, focado no combate implacável às desigualdades, na valorização do trabalho e na solução pacífica e diplomática dos conflitos internacionais.
Estamos firmemente convencidos de que o BRICS reúne hoje todas as condições políticas, econômicas e morais para liderar o mundo na direção desse novo arranjo geopolítico. Os documentos históricos aprovados durante a última cúpula do bloco, realizada em Nova Déli nos dias 12 e 13 de setembro, traduzem perfeitamente esse objetivo e apontam os caminhos práticos para a transição multipolar.

Desta tribuna, ecoando o espírito do BRICS e os anseios desta Assembleia, exigimos o fim imediato das guerras em curso.

Manifestamos nossa total e irrestrita solidariedade a Cuba, exigindo o fim imediato do bloqueio criminoso, ilegal e genocida imposto há décadas pelos EUA.

Deixamos aqui nosso abraço solidário ao povo da Venezuela, ao presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sequestrados e preso pelos EUA, que se apoderaram do petróleo venezuelano.

Clamamos pela solidariedade ativa ao povo palestino. Israel deve interromper imediatamente o genocídio na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Apoiamos de forma inequívoca a criação e o reconhecimento pleno do Estado Palestino, baseada na solução de dois Estados, o que contribuirá enormemente para a promoção da paz, do desenvolvimento e da estabilidade de toda aquela região.

Como bem notou o presidente chinês Xi Jinping durante os debates do BRICS, é fundamental que o mundo rejeite firmemente a mentalidade de Guerra Fria, o confronto entre blocos artificiais e qualquer forma de interferência nos assuntos internos ou de violação da soberania de outros Estados. Estes são, sem sombra de dúvidas, os objetivos que compartilhamos e que nos unem aqui, nesta Segunda Assembleia Pública Mundial.

Quero concluir assegurando que o Brasil e a América Latina têm um papel absolutamente fundamental e ativo a cumprir nesse processo histórico, marchando lado a lado com as demais nações e continentes representados nesta plenária.

Nossa região é extraordinariamente rica em recursos naturais, possui a maior biodiversidade do planeta, além de uma imensa riqueza cultural e capacidade humana. Temos as condições políticas e materiais para contribuir decisivamente para a edificação desse mundo multipolar, mais equilibrado, justo e democrático.

Para isso, o nosso dever de casa é claro: precisamos fortalecer a nossa integração regional latino-americana, ampliar de forma ousada a cooperação Sul-Sul e aprofundar as relações de solidariedade com os povos irmãos da África, da Ásia, bem como com as forças progressistas da Europa e de todas as regiões do globo.

Para que prossigamos nesta direção é indispensável derrotar a extrema direita entreguista, lacaia do imperialismo estadunidense, e reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Unidos pelos mesmos ideais de independência nacional, desenvolvimento soberano e justiça social, nós haveremos de vencer o imperialismo e construir, finalmente, o “Mundo Novo” onde a paz não seja apenas a ausência de guerra, mas a presença plena da dignidade humana.

Muito obrigado a todos. Viva a solidariedade internacional dos povos!


Fonte:  CTB - 24/09/2026

 

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