O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE) voltou à Aluvid nesta quarta-feira (23) para repudiar o atropelamento de seis dirigentes sindicais, ocorrido no dia 15, durante uma mobilização da campanha salarial.
O ato marcou o retorno da entidade à empresa oito dias após, segundo o sindicato, um dos sócios avançar com um veículo contra os sindicalistas. A mobilização também levou aos trabalhadores informações sobre as negociações da campanha.
No dia do ocorrido, os dirigentes realizavam uma atividade amparada por acordo coletivo, que garante ao sindicato 45 minutos de diálogo com os trabalhadores, sem prejuízo salarial. De acordo com o Sindmetal-PE, a atividade transcorreu de forma pacífica. Ao final, um dos sócios teria avançado com o veículo contra os dirigentes, atingindo seis deles. Policiais militares estavam no local, segundo a entidade.
Os sindicalistas foram encaminhados à UPA de Nova Descoberta para avaliação médica. Em seguida, foram à Central de Flagrantes, na Avenida Agamenon Magalhães, para registrar a ocorrência.
Abinadabe Santos, presidente do Sindmetal-PE e secretário de Organização da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), afirmou que o retorno à empresa foi uma forma de repudiar a violência e reafirmar a presença do sindicato junto aos trabalhadores.
“Fizemos o boletim de ocorrência e hoje voltamos ao local para realizar um ato de repúdio ao ocorrido. Retornamos à Aluvid para dar o nosso recado aos trabalhadores e repudiar essa conduta inaceitável”, afirmou.
Abinadabe também informou que o sindicato recebe denúncias de trabalhadores sobre problemas no ambiente de trabalho. Algumas das questões relatadas estão sendo tratadas pela entidade junto ao Ministério Público do Trabalho.
Violência
Esdras Vitorino, secretário de Organização Sindical do Sindmetal-PE e dirigente da CNM/CUT, relatou que o episódio ocorreu após o encerramento da atividade, realizada no galpão onde funcionam Aluvid, Metaflex e Tropical.
“Quando a atividade terminou, um dos sócios veio com uma SW4 branca e avançou em nossa direção. Duas ou três pessoas precisaram pular para não serem atingidas em cheio. Havia uma viatura no local e cobramos o encaminhamento à delegacia”, contou.
O dirigente afirmou que o sindicato acompanhará o inquérito policial com sua assessoria jurídica e manterá a atuação na empresa, inclusive diante das denúncias apresentadas pelos trabalhadores.
“Foi uma atividade tranquila e vamos continuar acompanhando o inquérito policial junto com o nosso departamento jurídico”, destacou.
Esdras disse ainda que trabalhadores relataram situações de assédio moral e ameaças. Entre as denúncias, está a de que um dos sócios circularia pela área de produção com uma arma na cintura. O sindicato informou que não presenciou essa situação e não possui imagens que a comprovem.
“São relatos feitos pelos trabalhadores ao sindicato. Não presenciamos essas situações e não temos imagens que as comprovem, mas recebemos denúncias. É uma situação que consideramos muito grave”, ressaltou.
Campanha salarial
Além de repudiar a violência, a mobilização atualizou os trabalhadores sobre a campanha salarial dos metalúrgicos de Pernambuco. A categoria chegou à nona rodada de negociação nesta semana e terá uma nova reunião para discutir o reajuste.
“Queremos, além da reposição da inflação pelo INPC na data-base de 1º de setembro, um ganho real significativo, que possa reparar as perdas salariais dos trabalhadores nos últimos 12 meses e garantir maior valorização da categoria”, defendeu Abinadabe.
Outro ponto de impasse é o pagamento das horas extras. Segundo o presidente do Sindmetal-PE, o setor patronal propõe reduzir o valor pago, enquanto o sindicato defende a manutenção dos direitos conquistados.
“O patronato insiste em querer reduzir o valor da hora extra, mas já deixamos claro que não vamos aceitar a retirada de nenhum direito conquistado. Nosso lema é avançar, e não retroceder”, afirmou.