Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios de todo o país decidem se entrarão em greve por tempo indeterminado na luta por melhores direitos e salários. As assembleias vão ocorrer na noite desta quinta-feira (10) e a CSP-Conlutas faz um chamado à mobilização.
Na pauta de reivindicações dos ecetistas o principal ponto de atenção é a defesa do plano de saúde. A direção da empresa pretende deixar de arcar com sua parcela de corresponsabilidade.
Sem o pagamento garantido pelos Correios à operadora, o valor do convênio médico ficará inteiramente nas costas do trabalhador. Isso irá causar o encarecimento do desconto para os trabalhadores, além da piora do atendimento.
“Na proposta da empresa tem um golpe que é a criação de um grupo de trabalho para discutir o tema, após a assinatura do acordo. Mas todos já percebemos que isso é para tirar o foco”, explica o ecetista Geraldinho Rodrigues, integrante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.
Acordo insuficiente
Os trabalhadores também denunciam que o acordo bianual apresentado na reunião de conciliação no TST (Tribunal Superior do Trabalho), na última sexta-feira (4), irá deixar a categoria sem ganho real de salário por dois anos.
O reajuste salarial de 4,35% (Índice do INPC) alcança os benefícios, mas exclui as funções gratificadas, funções de confiança ou quaisquer parcelas vinculadas ao exercício de função, cargo em comissão ou atividade diferenciada. Para o segundo ano, a proposta é de recomposição da inflação do período com os mesmos critérios do primeiro ano.
Outros temas
A proposta da direção dos Correios também retira a cláusula do repouso remunerado de 200%. No texto, o dia de repouso trabalhado valerá somente 100%, o que abrirá prerrogativas para convocações de trabalho nos dias de domingo e feriados.
A empresa também pretende acabar com o ticket extra no mês de dezembro, uma cláusula histórica da categoria, defendida pela greve realizada em 2025. Essa injustiça penaliza o trabalhador em uma época do ano de muitos gastos.
Não à reestruturação
Geraldinho também explica que, além da pressão pelo acordo coletivo de trabalho, a Campanha Salarial também é o momento de exigir a suspensão da reestruturação dos Correios, com o fechamento de agências e unidades.
“Só na força da mobilização da Campanha Salarial é possível fazer essa exigência ao governo. Já a burocracia trabalha com outro encaminhamento. Acreditam que vão fazer isso dentro do Congresso Nacional”, explica.
“A reestruturação faz parte do acordo coletivo, nós temos que ir além de garantir que mantenha aquelas quatro cláusulas que estão no Supremo Tribunal Federal para serem julgadas, nós também queremos a suspensão da reestruturação”.
Todo apoio à luta!
A CSP-Conlutas declara todo apoio aos trabalhadores dos Correios em sua justa mobilização por melhores condições de vida. É preciso superar as direções pelegas e criar uma grande greve geral em todo o país.
“Infelizmente, ainda vemos parte dos dirigentes sindicais comprando a ideia da empresa e do governo, tentando dizer que houve avanço nas negociações. Todos deveriam se preocupar com a mobilização para construirmos uma grande luta para barrar todos esses ataques da direção da empresa e governo Lula”, afirma Geraldinho.