A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) participou do XXVII Congresso Estadual do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP-PB).
Sob o tema “Democracia, Tecnologia, Paz e Soberania: Desafios na Sociedade e no Trabalho Educacional”, mais de 400 participantes se reuniram em João Pessoa, de 26 a 29 de agosto.
A presidenta da CNTE, Fátima Silva, foi convidada para conduzir o debate da “Mesa Conjuntura Educacional”, ao lado do coordenador do Setorial Nacional de Educação do PT, Carlos Abicalil. Ela iniciou o discurso com menção à revolução tecnológica.
“A inteligência artificial é uma transformação sem igual na nossa história. Ela tem um contraponto, a nossa inteligência humana, e não vão substituir o nosso fazer pedagógico. O avanço tem que ser para a humanidade, todos têm que usufruir, não ficar concentrado na mão de cinco grandes empresas de capital privado como é hoje”, disse Fátima.
Não se trata de rejeitar a tecnologia, explicou a presidenta, mas questionar o modo como ela é implementada: “Tecnologia é para melhorar nossa condição enquanto pessoa. Os estados têm que colocar a IA a serviço da população, sem substituir nosso trabalho enquanto profissionais da educação”.
Defender a escola pública
Fátima enfatizou que a defesa da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e de uma sociedade democrática depende da mobilização coletiva.
“Enquanto sindicatos, nós estamos disputando e construindo a escola que sonhamos. Só nós profissionais da educação temos essa alegria de ver nossos estudantes bem na sociedade. A saída para conseguir esse projeto de educação é a luta coletiva”.
“Nós queremos uma escola pública, ofertada pelo Estado, que tenha garantia de que quem não teve a oportunidade de estar na escola no passado possa ter a educação de jovens e adultos hoje. Sonhamos com um ensino de qualidade além da preparação para o mercado, mas que dê esperança para todos e todas”, comentou a dirigente.
Abicalil destacou a necessidade de assegurar o financiamento público da educação, criticando ameaças à destinação mínima de 25% dos orçamentos e a expansão de interesses privados sobre os recursos do Fundo Social do pré-sal, que deveriam garantir o Plano Nacional de Educação.
“Nós somos a única constituição, das repúblicas contemporâneas, que afirma que o direito à educação é universal, dos 4 ao 17 anos, pública e garantida com financiamento público para ser laica, gratuita, de qualidade social, combatendo toda forma de discriminação. E sabemos que, a cada nova legislatura, são dezenas de projetos que querem acabar com o fundo público para a educação”, disse Abicalil.
Os assuntos norteadores do Congresso Estadual do SINTEP-PB — democracia, soberania e desenvolvimento sustentável — estão de acordo com o consenso estabelecido no 35º Congresso da CNTE. O evento na Paraíba é o vigésimo realizado pelas filiadas neste ano.
Programação
A programação do XXVII Congresso do SINTEP-PB promoveu debates sobre conjuntura política, revolução tecnológica e inteligência artificial no trabalho docente, além das ameaças à escola pública e democrática. O evento contou com mesas temáticas, grupos de trabalho sobre valorização e direitos da categoria e apresentações culturais.
Ao final do encontro, a plenária aprovou alterações estatutárias e o Plano de Lutas para o período de 2026 a 2028, direcionando as ações do sindicato na defesa da educação pública e dos/as trabalhadores/as da Paraíba.