Notícia - Vale-refeição é suficiente para cobrir gastos de apenas nove dias úteis por mês, aponta levantamento

O vale-refeição dos trabalhadores brasileiros continua perdendo capacidade de garantir a alimentação ao longo do mês. Um levantamento divulgado pela Pluxee mostra que, no primeiro semestre de 2026, o benefício foi suficiente para custear, em média, apenas nove dias úteis de refeições, evidenciando a redução do seu poder de compra diante da alta dos preços da alimentação.

O resultado representa uma queda de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o benefício cobria cerca de dez dias úteis. A comparação histórica revela uma redução ainda mais significativa: em 2019, o vale-refeição era suficiente para custear, em média, 18 dias úteis, número que caiu pela metade em sete anos.

Valor das refeições cresce acima do reajuste do benefício

Segundo os dados da pesquisa, o principal motivo para essa perda de cobertura é o descompasso entre o aumento do custo das refeições e o reajuste concedido pelas empresas no valor do benefício.

Enquanto o preço médio das refeições registrou alta de 4,3% no primeiro semestre de 2026, alcançando R$ 44,69, o valor médio creditado pelas empresas aos trabalhadores aumentou apenas 1,5%, chegando a R$ 583,75.

Esse cenário faz com que muitos trabalhadores precisem complementar o orçamento destinado à alimentação com recursos próprios para conseguir manter as despesas do mês.

Trabalhadores desembolsam mais do que recebem no benefício

O levantamento aponta que, atualmente, os trabalhadores precisam acrescentar, em média, 101% do valor recebido no vale-refeição para cobrir seus gastos com alimentação. Isso significa um desembolso adicional médio de R$ 589,00 além do benefício concedido pelas empresas.

De acordo com a Pluxee, esse comportamento reflete a perda gradual do poder de compra do vale-refeição observada nos últimos anos.

Cobertura do benefício diminui ano após ano

A série histórica da pesquisa mostra uma redução contínua da duração do benefício. Nos primeiros semestres de 2022, 2023 e 2024, o vale-refeição era suficiente para aproximadamente 13, 11 e 10 dias úteis, respectivamente. Em 2026, esse período caiu para nove dias úteis.

A pesquisa é elaborada pela Pluxee com base em seus dados internos desde 2019. Apenas os anos de 2020 e 2021 ficaram fora da série devido aos impactos da pandemia de Covid-19, período em que não houve levantamento.

Diferenças regionais na duração do vale-refeição

O estudo também identificou diferenças expressivas entre os estados brasileiros.
Nas regiões Norte e Nordeste estão os menores períodos de cobertura do benefício. Roraima aparece com a menor duração, suficiente para apenas seis dias úteis. Em seguida vêm Maranhão, com sete dias, e Acre e Rondônia, com oito dias úteis.

Já a região Sudeste concentra os melhores resultados. Minas Gerais lidera o ranking nacional, com cobertura média de 13 dias úteis, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo registram média de 12 dias.

Estudo aponta necessidade de revisão das políticas de benefícios

Para a Pluxee, os números evidenciam a diferença entre a evolução dos preços das refeições e o reajuste aplicado ao vale-refeição pelas empresas, situação que pode comprometer a segurança alimentar dos trabalhadores.

Na avaliação da empresa, os dados podem servir de referência para que empregadores revisem suas políticas de benefícios, buscando garantir que o vale-refeição mantenha sua finalidade de contribuir para uma alimentação adequada e para o bem-estar dos empregados.


Fonte:  CSB com informações de CNN Brasil / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil - 31/07/2026

 

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