Notícia - Wellington Damasceno assume presidência dos Metalúrgicos do ABC para triênio 2026-2029

A história do movimento sindical brasileiro ganhou mais um capítulo neste domingo (26). Em clima de celebração, os Metalúrgicos do ABC realizaram a cerimônia de posse da 24ª gestão do Sindicato na Estância Alto da Serra, em São Bernardo. O ato oficializou o início do triênio 2026-2029, com Wellington Damasceno assumindo a presidência ao lado da nova Diretoria Plena.

Eleito com 97,47% dos votos, Wellington tornou-se o 15º presidente da trajetória da entidade. Em seu discurso, recorreu às origens para projetar o futuro ao citar “Ói, nóis aqui otra veiz”, frase emblemática que marca a resistência histórica da categoria contra a intervenção da ditadura militar, em julho de 1983. Na ocasião, trabalhadores se uniram em greve geral e ocuparam o espaço em frente à Sede em defesa da democracia.

“Vocês querem um símbolo maior de ousadia? Este Sindicato é marcado por uma trajetória de luta, solidariedade e coragem. Foi essa mesma ousadia que nos fez construir um Sindicato dentro das fábricas”, destacou o dirigente.

Em um dos momentos mais simbólicos do evento, Wellington discursou no meio do público e entregou a Lula a carteirinha de sócio benemérito e presidente de honra, reforçando os vínculos históricos do chefe do Executivo com o local onde iniciou sua caminhada.

Ao tratar dos compromissos da gestão, o novo presidente defendeu pautas como a igualdade salarial entre homens e mulheres, o enfrentamento ao feminicídio e a reindustrialização com empregos decentes. Ele também alertou para as transformações no mundo do trabalho.

“Há mudanças nas fábricas e na sociedade. Precisaremos encontrar respostas para novos desafios, como o trabalho remoto e as plataformas. Só teremos um mandato de sucesso se estivermos ao lado uns dos outros, sem deixar ninguém para trás”, disse.

O processo eleitoral ocorreu entre março e abril de 2026, pelo modelo descentralizado adotado desde 1999. No primeiro turno, a categoria elegeu 161 representantes dos CSEs (Comitês Sindicais de Empresa) e seis do CSA (Comitê Sindical dos Aposentados). No segundo, escolheu Wellington para a presidência e os integrantes do Conselho da Direção Executiva — formato que fortalece a organização nas empresas e amplia a democracia no chão de fábrica.

Legado e passagem de bastão

A transição geracional foi um dos eixos centrais da cerimônia. O ex-presidente Moisés Selerges, que deixa a direção para disputar uma vaga de deputado federal em outubro, destacou o simbolismo do momento. “Eu sou o último de uma geração de guerreiros, e Wellington chega para abrir uma nova fase. Aqui nasceram o PT, a CUT e a maior liderança política deste país, o presidente Lula. Mas o mundo do trabalho já não é o mesmo”.

Moisés ressaltou que formar novas lideranças é o grande legado de sua caminhada. “Eu encerro o ciclo de uma geração, e o Wellington começa o de outra. Precisamos preparar novos nomes para que, daqui a 30 ou 40 anos, tenhamos companheiros prontos”. Ele também reafirmou compromissos que pretende defender na Bancada dos Trabalhadores, como a redução dos juros e a isenção do Imposto de Renda sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados). “Vamos a Brasília para fazer da Câmara dos Deputados a verdadeira Casa do povo trabalhador”.

Conselhos de quem fez história

Lula recordou o início de sua trajetória no Sindicato, em 1969, e saudou o novo momento da entidade. Ao dirigir-se a Moisés, aconselhou: “Se você for eleito, não é para ser um metalúrgico deputado. É para virar um deputado metalúrgico e fazer do seu gabinete uma mesa do seu Sindicato, para não esquecer a tua origem”.

A Wellington, Lula frisou a importância da autonomia sindical. “Embora eu seja seu amigo, como presidente do Sindicato você não tem que me tratar como amigo. Quando eu estiver fazendo as coisas erradas, o correto é você cobrar todo dia. É a essa categoria que você tem que ser leal”.

O presidente da República também celebrou a retomada da indústria automotiva nacional, citando os R$ 190 bilhões em investimentos anunciados pelas montadoras para gerar empregos e impulsionar o país. Ao encerrar, projetou o futuro do novo dirigente: “Tenho certeza de que você vai saber honrar a coragem e a capacidade de luta dos Metalúrgicos do ABC. Quem sabe, um dia, como eu, você possa até ser candidato à Presidência. É só se preparar”.

A cerimônia reuniu lideranças políticas, sindicais e do Judiciário. Entre os presentes, destacam-se os ministros Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Leonardo Barchini (Educação) e Márcio Elias Rosa (MDIC); os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Miranda e Lelio Bentes; o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), desembargador Valdir Florindo, e o desembargador Celso Peel; o procurador Ronaldo Lima; além dos candidatos ao governo do estado de São Paulo, Fernando Haddad, e ao Senado, Simone Tebet.

Entre abraços e lembranças das lutas que ajudaram a transformar o país, a posse marcou o início de um novo ciclo. A celebração terminou ao som da banda Ira!, reafirmando que a renovação caminha lado a lado com a preservação da memória da categoria.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos do ABC / Foto: Adonis Guerra - 28/07/2026

 

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