Notícia - Grupo árabe anuncia compra da Akaer, em São José dos Campos

O Grupo Edge, maior companhia do setor de Defesa dos Emirados Árabes Unidos, anunciou, nesta quinta-feira (16), a compra de 100% de participação da Akaer, fábrica do setor aeroespacial localizada em São José dos Campos. A venda ainda depende de aprovações regulatórias.

A aquisição ocorre em um momento em que a Akaer acumulava dívidas trabalhistas, com constantes atrasos nos salários e nos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Esses atrasos aconteceram apesar de a empresa ter recebido recursos públicos por meio de programas do governo federal.

Os salários e benefícios foram regularizados nos últimos dias, mas o acerto dos depósitos do FGTS ainda está pendente.

Neste ano, dirigentes do Sindicato se reuniram com representantes do Edge e da Prefeitura de São José dos Campos e expuseram a situação dos trabalhadores e de suas famílias, que passavam por dificuldades financeiras.

Nas reuniões, o Edge se comprometeu a priorizar o pagamento dos direitos trabalhistas caso a aquisição fosse concretizada.

A Akaer emprega cerca de 600 pessoas e é certificada como EED (Empresa Estratégica de Defesa). Entre suas atuações, está a participação nos projetos de desenvolvimento do caça Gripen e do cargueiro KC-390.

Sindicato ao lado dos trabalhadores

Durante todo o período em que a Akaer atrasou os salários, o Sindicato organizou assembleias e protestos, além de ter realizado cobranças junto ao Ministério do Trabalho e à Prefeitura.

Mas a precarização de direitos dos trabalhadores dos setores de Defesa e aeronáutico não é exclusividade da Akaer. Mesmo numa região que abriga um importante polo de tecnologia, como é o caso de São José dos Campos, o desrespeito aos direitos dos trabalhadores é uma realidade.

Nos últimos anos, o Sindicato cobrou do governo federal medidas concretas contra a precarização na Avibras e na Embraer, duas empresas estratégicas para o país e que contam com mão de obra qualificada. Apesar das inúmeras cobranças, o governo nada fez.

Por quatro anos (2022-2026), a Avibras deixou de pagar salários, entrou em recuperação judicial e passou pelo alto risco de fechamento. Ainda assim, o governo não liberou recursos para manter a fábrica em operação.

A Avibras só voltou a produzir, após muita luta e negociações conduzidas pelo Sindicato. As atividades foram retomadas no dia 4 de maio, mas até agora o governo não se manifestou a respeito de novos contratos com a empresa.

Já a Embraer, mesmo estando entre as maiores fabricantes de aviões do mundo e batendo recordes de vendas, paga salários que não condizem com a alta qualificação dos trabalhadores. Além disso, recusa-se a assinar a convenção coletiva de trabalho.

Entre os direitos negados pela Embraer aos trabalhadores está a estabilidade no emprego até a aposentadoria para vítimas de doenças e acidentes adquiridos na fábrica. Na prática, isso significa que os metalúrgicos que produzem aviões têm menos direitos e recebem salários inferiores à média da categoria.

Essa precarização na Embraer não impede que a empresa receba recursos públicos. Recentemente, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou um financiamento de R$ 279 milhões para projetos de inovação da fabricante de aviões.

Estatização

O Sindicato defende que todas empresas estratégicas brasileiras sejam estatizadas e colocadas a serviço do país, com fiscalização pelos trabalhadores, como forma de manter a tecnologia nacional longe das mãos do capital estrangeiro para a defesa de nossa soberania.

A Embraer recebeu mais dinheiro público depois que foi privatizada do que quando era estatal. Em 2020, quase foi vendida para a estadunidense Boeing. Os planos de venda foram duramente criticados pelo Sindicato, que defende a reestatização da Embraer.

Defendemos também a fusão de todas as empresas do segmento de defesa em parceria com as universidades, para o desenvolvimento de conhecimento cientifico, projetos e produtos para a defesa do nosso país.

A Akaer, ao ser adquirida pelo grupo, passa a ter controle árabe. O governo chegou a liberar, por meio da Finep (Financiamento de Estudos e Projetos), R$ 41,3 milhões para a empresa. Em 2025, parte dessa verba foi cancelada em razão de um suposto desvio de dinheiro.

O Grupo Edge também é proprietário de 51% da Siatt, empresa estratégica de Defesa, localizada em São José dos Campos. Uma nova unidade da fábrica está sendo construída em Caçapava.

"Mesmo estando em um polo de grandes empresas, os trabalhadores precisam estar sempre organizados e mobilizados. É aí que entra a importância de um Sindicato combativo, que não abre mão de lutar em defesa dos trabalhadores, ao contrário de muitos políticos, que só aparecem em momentos festivos para sair bem na foto. Esperamos que, como novo proprietário da Akaer, o Grupo Edge garanta os salários em dia e respeite os direitos dos trabalhadores. Também vamos exigir a preservação dos empregos e de projetos no Brasil, com  garantia de todos os postos de trabalho", afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Roosevelt Cássio - 17/07/2026

 

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