Notícia - Mulheres reforçam agenda feminista e defendem transformação social na Assembleia dos Povos do Mundo

O protagonismo das mulheres na construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária esteve no centro dos debates da Assembleia dos Povos do Mundo, realizada em Salvador. Com o tema “O Papel da Mulher na Formação da Agenda de Valores”, lideranças femininas de diversos países compartilharam experiências e desafios comuns enfrentados pelas mulheres em diferentes partes do mundo.

O painel reuniu sindicalistas, dirigentes de movimentos sociais e representantes internacionais, que destacaram a necessidade de ampliar a participação feminina nos espaços de poder e fortalecer o papel das mulheres como agentes conscientes de transformação em todas as esferas da sociedade.

Representando a CTB, a presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza, ressaltou a importância da presença das mulheres no movimento sindical e nas lutas populares. Segundo ela, apesar dos avanços conquistados, as trabalhadoras ainda enfrentam profundas desigualdades no mercado de trabalho.

“Assumimos espaços com características diferentes das masculinas, mas com a mesma determinação. No trabalho, recebemos 30% menos que os homens, exercendo a mesma função. É hora de reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1. Na luta política, vamos reeleger Lula presidente e eleger deputados e senadores comprometidos com as causas populares. Somos sindicalistas e feministas para construir, junto com os homens, uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou.

Mulheres nos espaços de decisão

A presidenta da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino, destacou os obstáculos enfrentados pelas mulheres para alcançar e permanecer em posições de liderança. Ela lembrou que, após seis décadas de existência da entidade, tornou-se a primeira mulher a ocupar a presidência da federação.

“Mulher já nasce dirigente, negociando com filhos e maridos as questões do dia a dia. Após 60 anos, sou a primeira mulher presidenta da entidade. Mas por que demoramos tanto? As mulheres chegam aos espaços de poder, mas têm dificuldade de se manter. Precisamos de uma rede de apoio. Quando formos mais longe, devemos levar outras mulheres juntas, porque fazemos a diferença”, declarou.

Desafios compartilhados em todo o mundo

As intervenções das representantes internacionais demonstraram que, apesar das diferenças culturais e geográficas, os desafios enfrentados pelas mulheres apresentam características semelhantes em diversos países. Entre os temas abordados estiveram a violência doméstica, o feminicídio, a desigualdade salarial, a sobrecarga decorrente das múltiplas jornadas de trabalho e a sub-representação feminina em cargos de liderança.

As participantes defenderam o fortalecimento da solidariedade internacional entre as mulheres e a ampliação de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero, à proteção dos direitos das trabalhadoras e ao combate a todas as formas de violência e discriminação.

O debate reafirmou que a luta das mulheres permanece como uma das frentes fundamentais para a construção de um novo modelo de desenvolvimento, baseado na justiça social, na democracia e na valorização da dignidade humana.


Fonte:  CTB - 18/06/2026

 

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