A greve geral convocada pela COB (Central Operária Boliviana) na Bolívia entra em seu segundo mês nesta segunda-feira (1/6). Crescem as marchas e os bloqueios de pontos importantes do país como rodovias, zona urbanas e rurais. Mineradores, camponeses Ponchos Rojos; trabalhadores fabris, professores, comerciantes e transportadores. São milhares com as atividades paralisadas.
A CSP-Conlutas enviou um representante da Secretaria Executiva Nacional, o metalúrgico Aldiério Florêncio, para levar o apoio da Central e de trabalhadores brasileiros para o levante do povo boliviano, que está determinado a levar essa luta até a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
Aldiério manifestou o repúdio à criminalização da mobilização. “Repudiamos o presidente boliviano de criminalizar o movimento sindical e os dirigentes dessas lutas, para nós é um absurdo, por isso nos juntaremos contra a criminalização dos que lutam”.
O dirigente da Central fez uma saudação na reuniao emergencial convocada pela COB e Central Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB). Realizada neste último domingo (31/5), contava com lideranças do movimento nacional para discutir os próximos passos da mobilização e manter as medidas de força até que a renúncia de Paz.
O metalúrgico também repudiou a fala do presidente do Brasil Lula “que se diz de um partido de trabalhadores, mas deu total apoio ao presidente Rodrigo Paqz, quando deveria apoiar a luta, uma vez que já foi sindicalista”, frisou.
O dirigente da CSP-Conlutas chamou de exemplar a revolta boliviana. “A luta que vocês fazem aqui é a luta que todos os trabalhadores da América Latina deveriam estar fazendo, por que os governos estão jogando a crise econômica nas costas dos trabalhadores com todos esses planos de austeridade, assim viemos para nos solidarizar, mas também para aprender com vocês sobre a organização e mobilização da nossa classe”, afirmou Aldiério.
Aldiério entregou uma carta da CSP-Conlutas expressando todo o apoio da Central aos que lutam na Bolívia.
As duas centrais sindicais anunciaram que, por enquanto, não comparecerão ao diálogo convocado pela vice-presidência do Estado, pela Igreja Católica e pela Defensoria do Povo, e persistiram na exigência de que Paz “dê um passo ao lado”.
Também decidiram que diante da crise pelo fechamento prolongado das vias irão permitir corredores humanitários que permitindo o fráfego de produtos básicos e médicos hospitalares entre outros.
Situação na Bolívia
Há um mês em greve geral, o povo boliviano pede a renúncia do presidente Rodrigo Paz devido às políticas de austeridade aplicadas pelo governo.
O que começou com pedidos específicos, como aumento salarial, combustível de melhor qualidade e a anulação de leis específicas, acabou se transformando nesta mobilização muito maior que exige a troca de autoridades do governo e a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
Uma situação que chegava aos limites diante da crise de combustíveis, taxa de inflação elevada (na casa dos 14% anuais), escassez de alimentos e a rejeição a propostas governamentais que incluiam a possível privatização de recursos naturais e empresas públicas.