Notícia - Em Brasília, Sindicato e CSP-Conlutas defendem jornada de 36 horas semanais

Dirigentes do Sindicato e da CSP-Conlutas foram a Brasília, nesta terça-feira (26), para apresentar a deputados e senadores a necessidade do fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. O grupo entregou, nos gabinetes, uma “carta aos parlamentares brasileiros”, em defesa da escala 4x3 e 36 horas semanais, sem redução de salário.

Está prevista para esta semana a votação do Projeto de Lei 1838/2026, que propõe a redução da escala para 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso), com limite de 40 horas semanais.

A votação, que inicialmente seria nesta quarta-feira (27), deve ser adiada para quinta. A mudança aconteceu porque o deputado Maurício Marcon (PL) fez pedido de vista na Comissão Especial da Câmara dos Deputados.

Foram a Brasília o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, o diretor Arthur Cezário dos Santos e o dirigente da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Centrais sindicais

A Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6x1, da Câmara dos Deputados, ouviu, em plenário, representantes de entidades sindicais e movimentos sociais sobre o tema. O dirigente da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates foi convidado a tomar a palavra.

No microfone, ele se posicionou contra a adoção de um período de transição, previsto no projeto que será votado. Também defendeu a jornada de 36 horas semanais.

“A última redução da jornada de trabalho aconteceu em 1988, e ela ocorreu não por iniciativa do Parlamento, mas como fruto de um grande processo de mobilização, com greves nas décadas de 1980 e 1990, que tinham como reivindicação as 40 horas semanais. Não faz nenhum sentido falar em transição, porque essa transição já dura 38 anos. Essa não é a reivindicação de hoje. A de hoje é a das 36 horas semanais”, afirmou.

E finalizou: “Somente a escala de 4x3 é capaz de garantir aquilo que a juventude levantou nas ruas, que é a possibilidade de ter vida além do trabalho. Então, para nós, vamos continuar essa luta. Não vamos abrir mão das 36 horas semanais, aqui dentro, no Parlamento, no Senado, nas ruas e nas greves. E, se por acaso for aprovada a transição, nós vamos derrubá-la da maneira que sempre foi: nas greves, nas lutas e nas passeatas, porque essa é a única força que a classe trabalhadora tem para promover mudanças. Por isso, nós, da CSP-Conlutas, reafirmamos que vamos à luta contra a transição”.

Carta aos parlamentares

Na carta entregue aos deputados, o Sindicato afirma que a escala 5x2 e a jornada de 40 horas semanais, propostas pelo governo federal, ainda são insuficientes para atender todos os trabalhadores brasileiros. Por isso, é preciso avançar nas discussões.

“Esse modelo (escala 4x3 e jornada de 36 horas) beneficiaria os trabalhadores e o país, com a geração de 4,5 milhões de empregos, segundo o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Ao reduzir a jornada para 40 horas, o governo desconsidera um universo de 3,7 milhões de trabalhadores que já se encaixam nessa realidade. Entre eles está a categoria metalúrgica”, diz um trecho da carta.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos / Foto: Edilene Faria - 27/05/2026

 

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