O Sindicato dos Metelúrgicos de São José dos Campos intensificou nesta quarta-feira (13) a campanha pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 nas fábricas da região. Assembleias foram realizadas com trabalhadores da Armco, em Jacareí, e da Gerdau e Akaer, em São José dos Campos.
Durante as atividades, dirigentes sindicais distribuíram um jornal temático e dialogaram com os metalúrgicos sobre a importância de ampliar a mobilização para outras categorias, às vésperas da votação do Projeto de Lei 1838/2026, prevista para o próximo dia 27, no Congresso Nacional.
O projeto, proposto pelo governo federal, prevê a substituição da escala 6x1 pelo modelo 5x2, com jornada de 40 horas semanais sem redução salarial.
Para o Sindicato, no entanto, a proposta é insuficiente. A entidade defende a implantação da escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), com jornada de 36 horas semanais, sem redução de salário e sem período de transição.
Em grande parte das fábricas metalúrgicas da região a jornada já é de 40 horas semanais, o que faria com que o projeto não tivesse impacto para a categoria.
A entidade também critica a pejotização, modelo de contratação em que trabalhadores são registrados como Pessoa Jurídica (PJ), sem direitos trabalhistas, mas submetidos a jornadas e regras semelhantes às de empregados com carteira assinada.
“Não podemos confiar apenas no parlamento para conquistar o fim da escala 6x1, até porque a proposta do governo Lula é eleitoreira e não beneficia toda a classe trabalhadora. É preciso ampliar a mobilização dos trabalhadores e pressionar pela implementação da escala 4x3”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
Nos próximos dias, o Sindicato realizará novas assembleias em empresas da região e enviará a pauta de reivindicações às fábricas da categoria, cobrando negociação imediata pela redução da jornada.
Mobilização
Além das assembleias nas metalúrgicas, o Sindicato prepara atividades de diálogo com a população em São José dos Campos, Jacareí, Caçapava e Igaratá.
A entidade também produzirá materiais informativos sobre os impactos da escala 6x1 na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores. O “Dia D” da mobilização está marcado para 27 de maio.
Redução da jornada pode gerar empregos
De acordo com pesquisa do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, a adoção da jornada 4x3 no Brasil poderia gerar 4,5 milhões de empregos e beneficiar cerca de 76 milhões de trabalhadores.
Porém, empresários, políticos e a grande imprensa adotaram um discurso alarmista para confundir e amedrontar a população sobre supostos riscos econômicos do fim da escala 6x1. Nós já vimos essa novela mentirosa!
No Brasil, a jornada de 44 horas semanais foi definida pela Constituição de 1988. Na época, a choradeira foi enorme, porque os patrões queriam manter a jornada de 48 horas. Ninguém quebrou. Já são 38 longos anos sem grandes mudanças trabalhistas no país, está mais do que na hora de mudar.
Além disso, o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade permitem a redução da jornada sem prejuízo econômico.
“Se a gente trabalhar menos horas, mais postos de trabalho serão criados. Nenhuma fábrica, comércio ou prestadora de serviços vai fechar por causa disso. Basta de exploração. Exigimos mais vida e menos trabalho”, concluiu Weller.