Trabalhadores da Avibras Aeroco, antiga Avibras Indústria Aeroespacial, retornaram às atividades na manhã desta segunda-feira (4), em Jacareí (SP). A retomada é resultado direto da greve histórica realizada pelos operários e organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas.
A entidade organizou um ato de boas-vindas aos trabalhadores, por volta das 7 horas, na portaria da fábrica, e reafirmou seu compromisso com a defesa dos empregos. Dirigentes sindicais conversaram com os metalúrgicos e destacaram a importância da luta que travaram para a manutenção da principal indústria bélica do país.
Foram mais de quatro anos de mobilização, com 1.280 dias de greve – uma das mais longas do país – e mais de 160 atividades realizadas pelo Sindicato, entre assembleias, atos e negociações.
Neste mês, cerca de 270 trabalhadores retornam à empresa. Pela manhã, houve uma atividade de integração na fábrica. A expectativa é de que a produção seja retomada nos próximos dias. Outras 240 pessoas devem ser recontratadas a partir de junho.
Mobilização histórica garante acordo
A luta histórica dos trabalhadores da Avibras garantiu o cancelamento de demissões, a construção de um plano alternativo de recuperação judicial e um acordo para pagamento da dívida trabalhista, estimada em R$ 230 milhões.
A mobilização foi iniciada em 18 de março de 2022, quando a empresa demitiu 420 pessoas sem negociação com o Sindicato. A entidade contestou os desligamentos na Justiça, que cancelou os cortes. No mesmo mês, a Avibras entrou com pedido de recuperação judicial.
Os trabalhadores reintegrados passaram por seis programas de layoff (suspensão temporária dos contratos de trabalho).
Seis meses após o início da crise, a empresa passou a atrasar o pagamento de salários do restante do efetivo. Os metalúrgicos decidiram, então, iniciar a greve.
Considerada uma das mais longas do movimento operário brasileiro, com 1.280 dias de duração, a paralisação foi iniciada em 9 de setembro de 2022 e encerrada em assembleia que selou o acordo para a retomada da fábrica, em 11 de março de 2026.
Atuação sindical
O Sindicato pressionou todas as esferas do governo, de Bolsonaro a Lula, além dos credores e do até então proprietário da Avibras, João Brasil Carvalho Leite, pelo pagamento de salários e direitos e pela permanência da empresa no Brasil.
A entidade também fez parte da construção do plano alternativo de recuperação judicial, que foi aprovado em Assembleia Geral de Credores e destituiu João Brasil do cargo, em maio de 2025.
O Sindicato também segue defendendo a estatização da empresa, sob controle dos trabalhadores, como forma de garantir sua função estratégica.
"A luta dos metalúrgicos da Avibras é emblemática. Trata-se de uma mobilização que extrapolou a esfera sindical e chegou à sociedade. O Brasil inteiro reconhece a importância estratégica da Avibras para o setor de Defesa. Se a fábrica volta a funcionar hoje, o mérito é todo de quem nunca desistiu”, afirma Weller Gonçalves, presidente do Sindicato.