Notícia - CSP-Conlutas faz 1º de Maio classista, pelo fim escala 6x1 e por justiça aos que lutam pela Palestina

A manhã da sexta-feira, 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores foi de resistência, classicismo, internacionalismo e independência de classe na Praça da República, no coração de São Paulo.

Enquanto setores do movimento sindical se rendem a palanques governistas, cerca de 1mil trabalhadores e trabalhadoras organizados em sindicatos de diversas categorias, movimentos de moradia, coletivos feministas, organizações estudantis e partidos políticos  ergueram suas bandeiras e tiveram espaço para falas.

Fim da escala 6x1 e defesa do serviço público

Entre as palavras que ecoaram entre os prédios da capital foi o fim da escala 6x1. Os manifestantes exigiram a redução imediata da jornada de trabalho sem redução salarial, denunciando o regime de semiescravidão que consome a saúde física e mental de quem produz a riqueza do país.

O ato também foi palco de uma denúncia contundente contra a política econômica do governo Lula. O Arcabouço Fiscal foi apontado como um instrumento de asfixia dos serviços públicos, que retira verbas da educação e saúde para garantir o lucro dos banqueiros.

No mesmo sentido, a exigência pelo arquivamento definitivo da Reforma Administrativa no Congresso Nacional unificou as delegações presentes, que seguem em pé de guerra contra a destruição das carreiras e do atendimento à população.

Solidariedade Internacionalista e Anti-imperialismo

Honrando a tradição internacionalista do Dia do Trabalhador, o ato na República atravessou fronteiras. Foi manifestada total solidariedade ao povo palestino contra o genocídio promovido pelo sionismo israelense e ao povo ucraniano que resiste à invasão russa.

Também foi denunciado o imperialismo de Donald Trump e as garras das potências estrangeiras sobre a América Latina foi enfatizada como condição para a libertação da nossa classe.

Neste sentido, o ato da CSP-Conlutas também foi enfático em exigir a absolvição do companheiro Zé Maria, do PSTU, que está sendo alvo da perseguição sionista por se levantar em defesa da Palestina.

Zé foi condenado a 2 anos de prisão, em uma acusação absurda de racismo contra o povo judeu. Em sua fala, o companheiro reiterou que permanecerá na luta, além de explicar que o antisionismo em nada tem a ver com o antissemitismo.

“Estão usando aquele argumento surrado do sionismo de equiparar antisionismo e antissemtismo. Mas todos sabem que esta comparação não é possível de ser feita. Quando criticamos Israel, não estamos criticando o povo judeu”, explicou Zé Maria, em sua fala.

“Nós defendemos o fim do estado de Israel porque é preciso parar o genocídio que aquele estado racista executa contra o povo palestino e para que todos os povos que vivem ali, incluindo os judeus, possam viver num estado laico, democrático e não racista”, conclui.

Também foi exigida a liberdade imediata para os brasileiros sequestrados por Israel enquanto participavam da iniciativa humanitária Flotilha da Liberdade, durante a última semana.

Mandi Coelho e Leandro Lanfredi, já não estão mais sob a custódia israelense, porém Tiago Ávila ainda permanece sob cárcere. A exigência é que o governo brasileiro passe a atuar de fato e exija a libertação imediata de Tiago

Terra, Vida e Soberania

A pauta da terra e da soberania nacional também doram destacadas.. O grito pela demarcação e titulação das terras indígenas e pela Reforma Agrária popular uniu campo e cidade. 

Além disso, as intervenções destacaram a necessidade estratégica de soberania sobre as terras raras, minerais essenciais que não podem ser entregues à sanha das multinacionais e do imperialismo.

Luta das mulheres

A luta das mulheres também foi um pilar da manifestação. Em um país que registra números alarmantes de violência, o combate ao feminicídio foi tratado não apenas como uma pauta de segurança, mas como uma luta política contra o machismo estrutural que se aprofunda na exploração capitalista.

Fiasco na Av. Paulista

Enquanto a manifestação da CSP-Conlutas, na República, e os trabalhadores mostravam sua força, na Av. Paulista, o ato bolsonarista foi um verdadeiro fiasco, reunindo em média apenas 50 pessoas.

O número inexpressivo revela que na realidade garantir o direito ao ato dos bolsonaristas foi apenas uma artimanha da Polícia Militar, a mando do governador Tarcísio de Freitas, de impedir que a CSP-Conlutas mostrasse força na principal avenida do estado.

“Ficou claro que a não  permissão ao nosso ato na Paulista pelo governo de Tarcísio foi política para impedir que os trabalhadores tomassem a avenida. Mas a tradição do 1º de maio foi mantida e o da direita foi um fiasco”, afirma o companheiro Mancha, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

Seguir na luta!

O ato se encerrou com a reafirmação de que as conquistas da classe trabalhadora só vêm através da mobilização direta.

A presença de delegações combativas de vários sindicatos e da juventude demonstrou que existe um caminho alternativo: o da organização pela base, sem rabo preso com patrões ou com o Estado, focado estritamente nas necessidades de quem vive do trabalho.

“Neste 20 anos de existência da nossa Central, que acaba de realizar o 6º Congresso, nosso 1º de Maio tem a importância de ser classista, de oposição de esquerda ao governo Lula e de enfrentamento à extrema direita”, afirma Cleber Rabelo, que encerrou a manifestação em nome da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

“Então nós estamos juntos companheiros. Trabalhadores do campo e da cidade, do movimento popular, mulheres, estudantes e as ocupações. Viva o 1º de Maio. Viva a resistência de 20 anos da CSP-Conlutas”.


Fonte:  CSP-CONLUTAS - 04/05/2026

 

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