O SINDAERGS – Sindicato dos Administradores do Rio Grande do Sul informa que os administradores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) deflagraram greve no dia 14 de abril, após o encerramento de um ciclo de negociações sem a apresentação de proposta formal por parte da gestão da empresa, tendo o movimento sido posteriormente suspenso no dia 17 de abril, com manutenção do estado de greve.
A mobilização ocorreu após semanas de tratativas entre as partes. Desde o dia 23 de março, a categoria encontrava-se em estado de greve, período em que manteve integralmente as atividades enquanto aguardava avanços nas negociações e a formalização de medidas relacionadas à principal pauta dos trabalhadores: a isonomia salarial.
No curso dessas tratativas, foi estabelecido prazo para que o GHC apresentasse encaminhamento quanto à medida jurídica a ser adotada para a solução do impasse, dado que a categoria já havia aceitado a contraproposta e as condições estabelecidas pelo GHC. Encerrado o prazo ao meio-dia do dia 14 de abril, sem qualquer resposta por parte da gestão, a categoria reuniu-se posteriormente em assembleia e, diante do descumprimento do compromisso assumido, deliberou pela continuidade da paralisação, cuja deflagração já havia sido previamente aprovada em plenária por ampla maioria.
Ocorre que, aproximadamente uma hora antes do término do prazo concedido, o GHC ajuizou pedido de mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. A medida foi recebida com surpresa pelos administradores e reputada como uma quebra do ambiente de confiança até então estabelecido. Ainda assim, o SINDAERGS reconheceu no procedimento de mediação uma via institucional adequada para o restabelecimento do diálogo, diante da ausência de resposta no prazo acordado.
A paralisação teve início às 14 horas do dia 14 de abril, observando rigorosamente os ritos legais e estatutários aplicáveis. Foram integralmente preservados os setores essenciais à assistência hospitalar (onde não ocorreu paralisação), bem como aqueles indispensáveis à continuidade administrativa do GHC, tendo sido adotadas medidas de revezamento nos setores não diretamente vinculados à atividade-fim dos serviços hospitalares.
Ainda no dia 14 de abril o SINDAERGS fora intimado sobre o ajuizamento do pedido de mediação judicial, mas mesmo diante desse cenário, a categoria decidiu permanecer mobilizada na greve, na qualidade de uma medida justa de reivindicações de direitos. Nos dias 16 e 17 de abril o SINDAERGS, junto com representantes da categoria mobilizada, compareceu às sessões de mediação realizadas no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, quando então fora restabelecido o canal institucional de diálogo entre o GHC e o SINDAERGS.
Na sessão realizada no dia 17 de abril, ainda no curso da própria mediação, os administradores deliberaram, por unanimidade, pela suspensão do movimento grevista, com manutenção do estado de greve, e pelo retorno às atividades, como forma de preservar a continuidade dos serviços prestados pelo GHC. A retomada das atividades ocorre de forma parcial e gradativa a partir do dia 17 de abril, com previsão de restabelecimento integral até o dia 20 de abril.
A decisão foi motivada pela informação de que o GHC está buscando, junto à Justiça Eleitoral, manifestação acerca da possibilidade jurídica de atendimento do pleito da categoria. Até que haja definição quanto a essa consulta, a mesa de negociação instaurada no âmbito da Justiça do Trabalho permanece suspensa.
O SINDAERGS ressalta que a pauta de isonomia salarial é histórica e vem sendo discutida continuamente desde 2023, sem solução definitiva, mesmo diante do reconhecimento, pelo próprio GHC, da essencialidade dos serviços e da elevada qualificação técnica dos administradores que atuam na instituição.