Com uma clima de forte indignação e disposição de luta, em assembleia nesta quinta-feira (9), os trabalhadores técnicos e administrativos da USP (Universidade de São Paulo) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 14. Além da categoria, a mobilização terá o reforço dos estudantes que também aprovaram paralisação a partir da mesma data em, pelo menos, 13 cursos da universidade.
Na pauta de reivindicações dos funcionários da USP estão a exigência de reposição de perdas salariais e isonomia salarial com docentes, melhores condições de trabalho a funcionários terceirizados e melhorias na política de permanência estudantil.
Isonomia ameaçada
Em uma das principais pautas, os trabalhadores cobram a incorporação de um valor fixo de R$ 1.600 aos salários, como forma de dividir o mesmo montante destinado a uma gratificação recentemente aprovada para docentes. O valor extra, aprovado pela reitoria somente para professores, no mês passado, ataca a isonomia e agrava a desigualdade na universidade, afirma o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), que é filiado à CSP-Conlutas.
A categoria também exige igualdade em relação aos professores no que diz respeito à compensação de horas de “ponte” e ao recesso de fim de ano.
Outro ponto central é o reajuste de 14,5% nos salários, como reposição das perdas acumuladas desde 2012, pauta que também é reivindicada pelos funcionários da Unicamp e da Unesp, na campanha salarial conjunta das universidades estaduais.
Os trabalhadores da USP querem ainda discutir reivindicações em defesa dos estudantes por permanência, melhorias nas condições de estudo e defesa da autonomia dos espaços estudantis, além da luta pelo bilhete único especial e contra a escala 6×1 para trabalhadores terceirizados.
Mobilização unificada com estudantes
A greve também contará com a mobilização estudantil. O DCE da USP (Diretório Central dos Estudantes) divulgou uma nota conjunta com 75 entidades contra uma portaria da universidade que restringe o uso de espaços por centros acadêmicos.
Mais de 40 assembleias foram chamadas, e ao menos 13 cursos já aprovaram adesão. Entre as reivindicações estão melhorias na permanência estudantil, qualidade dos restaurantes universitários (que enfrentaram problemas recentes, como falta de água e presença de larvas na comida) e a defesa dos espaços organizativos dentro da universidade.
Todo apoio aos trabalhadores e estudantes da USP!
No último dia 31 cerca de dois mil trabalhadores da USP realizaram uma paralisação e protestaram em frente à reitoria durante reunião do Conselho Universitário, mostrando não só a indignação com os ataques na universidade, mas também a forte disposição de luta da categoria.
A CSP-Conlutas reafirma todo apoio aos trabalhadores/as e estudantes da USP. Unificar e mobilizar. Esse é o caminho que pode levar à conquista das reivindicações.