Notícia - De 5 a 11 de abril, povos indígenas ocupam Brasília com o Acampamento Terra Livre, na luta por seus direitos

O ATL 2026 (Acampamento Terra Livre) começa no próximo dia 5 (domingo), em Brasília (DF), abrindo o tradicional Abril Indígena em um momento de forte levante dos povos originários. A 22ª edição do maior evento indígena no país acontecerá até o dia 11, no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

Com milhares de indígenas, de etnias de todas as regiões do país, o objetivo do encontro é denunciar ataques e enfrentar projetos anti-indígenas, impostos pelo agronegócio, mineradoras e outros setores econômicos, o Congresso e governos, e fortalecer a organização nacional dos povos originários. Em 2025, o ATL reuniu mais de 9 mil indígenas na capital federal.

Levante indígena

Este ano, a mobilização ocorre em meio a uma intensificação das lutas indígenas, que têm imposto derrotas a projetos de exploração e colocado em xeque o descaso dos governos.

Foi assim na forte mobilização durante a COP30 no final do ano passado, como na luta que, no início deste ano, ocupou a gigante do agronegócio Cargill, em Santarém (PA) e derrubou o decreto do governo Lula que abria caminho para a privatização de rios na Amazônia.

A atual ocupação da Funai em Altamira (PA), protagonizada por mulheres indígenas do Médio Xingu, que lutam contra a mineradora canadense Belo Sun, também é expressão da força da resposta dos povos originários à escalada de ataque contra seus territórios e vida. Com 40 dias de ocupação, o movimento prepara uma ofensiva em Brasília durante o ATL, para pressionar a Funai, o Ibama, o Ministério dos Povos Indígenas e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Programação do ATL 2026

A programação do ATL, divulgada pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) nesta quarta-feira (1°), está organizada em cinco eixos centrais, que tratam da defesa da vida, da demarcação de terras, da soberania e do enfrentamento às políticas que avançam sobre os territórios indígenas.

5 de abril
Chegada das delegações indígenas a Brasília e início das atividades do acampamento.

6 de abril
Realização da plenária “Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas”, que debate a violência praticada contra os povos originários durante a ditadura militar e apresenta a proposta de criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade.

7 de abril
Marcha “Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”, denunciando projetos em tramitação que atacam direitos indígenas, como a PEC do marco temporal, propostas contra demarcações e iniciativas que liberam mineração e exploração econômica em terras indígenas.

8 de abril
Plenária “Do território tradicional ao cenário global: o movimento indígena brasileiro na luta socioambiental”, com foco na articulação internacional. A programação inclui encontros com embaixadas e a participação de comunicadores indígenas do Brasil e da Guatemala.

9 de abril
Plenária “Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós”, que debate a participação indígena nas eleições de 2026 e o fortalecimento da representação política.
No mesmo dia, acontece a marcha “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. Segundo a APIB, 76 Terras Indígenas já estão prontas para homologação e aguardam apenas assinatura presidencial, enquanto outras 34 dependem de medidas do Ministério da Justiça.

10 de abril
Encerramento do acampamento com plenária final e leitura do documento político com as principais reivindicações do movimento.

11 de abril
Retorno das delegações aos seus territórios.

 

Confira a convocatória do ATL 2026: 

  • “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

Esse ano o tema do Acampamento Terra Livre revela a luta para garantir nossos direitos territoriais frente à ganância das grandes empresas, que insistem em invadir e explorar as últimas fronteiras da natureza preservada no mundo. Isso sem nos consultar, sem retribuir, sem respeitar a soberania dos povos.

Nossos rios estão sob ameaça. O agrofascismo quer transformá-los em corredor de soja. Nossa terra está sob ameaça. Querem arrancar todos os minerais presentes nela. Nossas matas estão sob ameaça. Querem derrubar as árvores, exportar madeira e transformar em monoculturas. Quando não há mais nada, tudo vira pasto, tudo vira gado. Nossos ventos estão sob ameaça. Até nossas vozes estão sob ameaça das redes, da IA que nos cala, confunde e mente.

Não somos contra a tecnologia. Não somos contra o crescimento do país.

Nós somos contra as grandes obras, vindas de empresas privadas estrangeiras, que prometem maravilhas, mas nos deixam com as dores pobreza, da violência contra as mulheres, da devastação, do fim da cultura e da morte dos nossos parentes.

O congresso inimigo do povo tenta de todas as formas mudar as leis da constituição. Tentam destruir qualquer barreira que se oponha entre eles e os alvos de sua fúria gananciosa. Não reconhecem que sempre estivemos aqui, cuidando deste território.

O Brasil, antes de se chamar Brasil, já viveu em estado de soberania e plena abundância. As cerca da colonização, as cerca da espoliação do Capital, são as cercas da fome e da pobreza.

Mas nós, povos indígenas, resistimos! Resistimos com os nossos ancestrais. Resistimos com a nossa cultura. Resistimos com a força do cocar. Resistimos juntos com a força do turbante. Resistimos em unidade.

E não toleramos mais nenhuma invasão. Não toleramos obras sem consulta. Não toleramos a apropriação da cultura para enriquecer uns poucos.

Este ano, vamos aldear a política e derrotar o Congresso Inimigo do Povo. Nossos peitos e nossos maracás estão prontos para enfrentar qualquer ameaça. Este ano, onde ecoar a voz indígena, vocês irão lembrar da força verdadeira do POVO BRASILEIRO.


Fonte:  CSP-CONLUTAS - 06/04/2026

 

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