Um levantamento realizado pela subseção do DIEESE da Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM-CUT/SP) aponta que as trabalhadoras metalúrgicas seguem recebendo salários significativamente menores que os homens, mesmo quando cumprem a mesma jornada de trabalho. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 indicam que, na área da produção e com jornadas de 41 horas semanais ou mais, as mulheres ganham em média 31,4% a menos do que os trabalhadores do sexo masculino.
Apesar da desigualdade, a presença feminina na base sindical registrou crescimento. A participação das mulheres passou de 17,6% em 2023 para 18,5% em 2024. No mesmo período, porém, a diferença salarial média entre homens e mulheres aumentou, subindo de 23,2% para 23,9%.
A análise também mostra que a desigualdade ocorre independentemente da jornada de trabalho. Entre trabalhadores que cumprem até 40 horas semanais, as mulheres representam 8.608 trabalhadoras e recebem, em média, 27,9% a menos que os homens.
Já na faixa de 41 horas ou mais, onde se concentra a maior parte da categoria, estão 178.951 trabalhadores, o equivalente a 79,2% da base da FEM-CUT/SP. Desse total, 33.209 são mulheres (18,6%) e 145.742 homens. Nessa faixa de jornada, a diferença salarial média chega a 22,1%.
O recorte específico da área da produção, onde as mulheres representam apenas 12,3% da força de trabalho, revela uma desigualdade ainda maior. Nesse setor, as metalúrgicas recebem, em média, 31,4% a menos que os homens, mesmo realizando jornadas iguais ou superiores a 41 horas semanais.
Para Ceres Lucena, secretária da Mulher Trabalhadora da FEM-CUT/SP, que fala em nome do Coletivo de Mulheres da federação, os dados reforçam a urgência de enfrentar de forma direta a desigualdade de gênero no setor metalúrgico.
“A realidade mostrada pelos dados é inaceitável e precisa ser superada com urgência. Não é possível que, em pleno século XXI, as metalúrgicas continuem recebendo menos mesmo fazendo a mesma jornada e exercendo as mesmas funções. Essa desigualdade precisa ser combatida com políticas efetivas nas empresas e com mobilização sindical. A redução da jornada de trabalho sem redução de salário também é uma pauta fundamental para garantir mais qualidade de vida, justiça e igualdade para as trabalhadoras”, afirma.
Segundo a dirigente, a luta das mulheres metalúrgicas passa tanto pelo combate à desigualdade salarial quanto pela ampliação de direitos que permitam melhores condições de trabalho e de vida.
O presidente da FEM-CUT/SP, Erick Silva, destaca que a superação desse cenário exige compromisso de toda a categoria. Para ele, a luta pela igualdade não é apenas das mulheres, mas também dos homens.
“Combater a desigualdade salarial é uma responsabilidade de toda a categoria. Os homens precisam estar juntos nessa luta, porque igualdade no local de trabalho fortalece toda a classe trabalhadora. A FEM-CUT/SP está comprometida em enfrentar esse problema, pressionar as empresas e construir políticas que mudem esse cenário”, afirma.
Ceres também reforça que o debate sobre redução da jornada de trabalho sem redução de salário ganha ainda mais importância diante dos dados apresentados.
“A redução da jornada é uma pauta estratégica para melhorar as condições de trabalho, distribuir melhor o tempo de vida e combater desigualdades históricas dentro das fábricas. É uma luta que precisa avançar na nossa categoria e no país”, conclui.