Notícia - II Conferência Nacional do Trabalho encerra em São Paulo com foco no fortalecimento do diálogo tripartite e na modernização das relações laborais

Após três dias de intensos debates, a etapa nacional da II Conferência Nacional do Trabalho (CNT) foi encerrada nesta quinta-feira, 5 de março de 2026. O evento, que reuniu mais de 3.000 representantes de entidades sindicais de trabalhadores e empregadores, além de membros dos governos federal, estaduais e municipais, consolidou um documento final que aponta os caminhos para o desenvolvimento social e o crescimento econômico do país.

Inspirada no modelo tripartite da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Conferência pautou-se pela paridade entre as partes para buscar soluções que garantam justiça social e competitividade em um cenário de profundas transformações.


Desafios da Transição e Tecnologia

O documento final destaca que o mundo do trabalho enfrenta mudanças aceleradas, especialmente pela automação e o surgimento da inteligência artificial generativa, que demandam rápida adaptação e investimentos em qualificação profissional. Além da transição tecnológica, o texto cita as transições demográficas (redução da natalidade e envelhecimento populacional), ambiental (mudanças climáticas) e de comunicação como fatores que exigem a atualização do paradigma das relações de trabalho no Brasil.

Para os delegados, o fortalecimento da soberania nacional e a modernização produtiva devem ser bandeiras comuns, acompanhadas de juros menores e maior acesso ao crédito.


Fortalecimento do MTE e Proteção Social

Um dos pontos centrais aprovados foi a reafirmação do papel estratégico do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O documento defende a modernização da pasta para sustentar políticas como a valorização do salário mínimo, a lei de igualdade salarial e o programa Crédito do Trabalhador.

Entre as diretrizes essenciais aprovadas, destacam-se:

  • Qualificação profissional contínua e articulada com as necessidades do mercado;

  • Fortalecimento do FAT e do FGTS como instrumentos de fomento ao desenvolvimento industrial, transição energética e financiamento de infraestrutura e moradia;

  • Intermediação de mão de obra inclusiva e proteção social integrada.

Agenda de Negociação e Futuro Sindical

A Declaração Final também aponta temas que ainda exigirão novas rodadas de negociação devido à sua complexidade. Entre eles, o trabalho intermediado por aplicativos, o combate à informalidade, a jornada de trabalho e, fundamentalmente, o fortalecimento das entidades sindicais e a valorização da negociação coletiva.

O texto reforça a necessidade de atualizar o sistema sindical e implementar boas práticas de mediação para a solução de conflitos trabalhistas. A expectativa é que os consensos alcançados orientem a atuação do MTE e sua interface com os poderes Legislativo e Judiciário.

Ao final, os delegados celebraram o exercício democrático. "As divergências podem ser tratadas em um calendário permanente e respeitoso de diálogos", afirma o documento, concluindo que o sucesso da Conferência representa uma vitória para a democracia e para o Brasil.



Fonte:  Redação Mundo Sindical - 05/03/2026

 

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