Uma mobilização contra o excesso de acidentes na fábrica Novelis ocorreu nessa terça-feira, dia 24 de fevereiro.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba, nove ocorrências graves foram registradas apenas nos últimos cinco meses. Durante o ato, o Sindicato fez uma alerta sobre situações com altíssimo risco de acidente fatal.
De outubro pra cá, vários trabalhadores ficaram machucados. Um funcionário da JJS teve um corte profundo na coxa durante a limpeza do forno. Uma punção na ponte de ferro na Preparação de Placas se rompeu e os estilhaços atingiram o pescoço de um dos mecânicos.
Um funcionário da Penske cortou a mão quando foi fechar o Sayder, levou 5 pontos no dedo. Um operador da Reciclagem sofreu um corte e perdeu a ponta do dedo durante a troca do bag na Laminação a Quente.
Também preocupantes são os incidentes com risco de acidente fatal. Por 2 vezes, uma tubulação se soltou e caiu muito perto das pessoas. Uma das pontes rolantes da fábrica, a 4A, teve falha no freio e a garra desceu junto com a carga. Na Refusão, um barramento de energia foi ligado com trabalhadores fazendo a manutenção, a bota deles chegou a derreter. Semana passada, o cabo da ponte na Preparação de Placas arrebentou e a placa caiu. Todos esses casos poderiam ter ocasionado um acidente fatal.
De acordo com o presidente do Sindmetalpinda, André Oliveira, o sindicato tem discutido com a empresa sobre esses casos, cobra medidas mais efetivas e mais contratações na empresa.
“Não podemos negociar a nossa segurança. Não podemos trocar sangue por salário. A demanda de produtividade é sempre muito bem-vinda. Porém, nós não podemos piscar os olhos e deixar que qualquer companheiro se acidente, principalmente por pressão excessiva de liderança e da chefia. Casos de jornada de 12 horas continuam acontecendo na Novelis. Quando tem que tirar a folga extra, que faz parte da jornada, a empresa tem que estar preparada para repor essa função. Não adianta nada dar a folga extra para um trabalhador e mais dois ficarem sendo surrados com 12 horas”, disse.
O ato cobrou mais segurança também das empresas terceirizadas da Novelis, que estão envolvidas em grande parte dos acidentes, e apontou questões sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados).