A batalha para acabar com a escala 6x1 não será fácil. Patrões e imprensa estão trabalhando arduamente para barrar a PEC de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), o mais novo capítulo da empreitada para não oferecer descanso para o trabalhador é o deputado federal Marcos Pereira, que também é presidente dos Republicanos.
Marcos Pereira levou suas preocupações para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a PEC ao dizer não era o momento de votar este tema por ser ano eleitoral ou pior ao dizer que se as pessoas “tivessem condições de fazer lazer”, a demanda seria válida, mas “o povo não tem dinheiro, infelizmente”. Ele deu essas declarações em entrevista para o jornal Folha de São Paulo.
O deputado diz que o trabalhador “vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?", questiona.
Quando foi perguntado sobre mais tempo de lazer ser uma demanda popular, o deputado não pensou duas vezes em dizer que “ócio demais faz mal”.
O discurso do deputado vai ao encontro do que o empresariado quer. Para eles, reduzir a jornada de trabalho não é necessário. O presidente da CSB, Antonio Neto, em recente entrevista falou que toda vez que existe um ganho para o trabalhador, o patrão diz que é fim da economia.
“É a mesma retórica de sempre. Quando criaram o salário mínimo disseram que era um erro. Quando vieram as férias, diziam que o trabalhador ficaria no ócio. Hoje repetem que reduzir jornada vai quebrar empresas. Não é verdade. É questão de organização do trabalho e de repartir os ganhos de produtividade”, defendeu.
Agora, é ficar de olho e atento para os próximos passos na votação da PEC.