Em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, na manhã desta sexta-feira (13), os trabalhadores da Akaer protestaram contra o atraso nos salários e as incertezas que envolvem o futuro da empresa.
Os trabalhadores referendaram o Sindicato como seu representante legítimo e autorizaram a entidade a buscar a direção da empresa para negociar a regularização da situação. O Ministério Público do Trabalho e outras instituições também podem ser acionadas.
A direção da empresa chamou a PM para reprimir o movimento. Os policiais agiram com muita truculência, mas não conseguiram impedir os trabalhadores de lutar por seus direitos.
Fábrica do setor aeroespacial localizada em São José dos Campos, a Akaer iniciou mais um ano com irregularidades no pagamento de salários e direitos. Até agora, os cerca de 700 trabalhadores da empresa não receberam os vencimentos de janeiro.
A empresa prometeu fazer o acerto hoje. Se isso não ocorrer, uma greve pode ser deflagrada, por tempo indeterminado, na semana que vem.
Finep
Os trabalhadores da Akaer aprovaram ainda que o Sindicato procure a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência do governo federal, para obter informações sobre o cancelamento do projeto de fabricação do foguete brasileiro por conta de um suposto desvio de R$ 24,5 milhões.
De acordo com notícias veiculadas na imprensa, a Finep suspendeu o Programa do Veículo Lançador de Pequeno Porte (foguete VLPP) em agosto de 2025, após irregularidades na prestação de contas. A Akaer só justificou o uso de R$ 16,7 milhões dos R$ 41,3 milhões já repassados pela agência.
O programa tinha valor total de R$ 180 milhões. Além de rescindir o contrato, a Finep exige que a Akaer e suas parceiras devolvam o total da verba já repassada.
Histórico
Não é de hoje que a Akaer atrasa os pagamentos. O Sindicato denuncia o grave desrespeito desde março de 2025. Além de não pagar salários em dia, a empresa não deposita o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) há um ano e também atrasa com recorrência o vale-alimentação.
Além disso, o plano de saúde foi novamente cortado, sem aviso prévio. Em dezembro, a Akaer já tinha suspendido os convênios médico e odontológico. Após mobilização dos trabalhadores, a promessa era reativá-los.
“A assembleia de hoje foi muito importante para legitimar o Sindicato dos Metalúrgicos como verdadeiro representante dos trabalhadores, em meio ao atraso de salários e pagamento de direitos”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
"É inconcebível termos trabalhadores que compõem uma mão de obra altamente especializada e qualificada, como são os casos dos companheiros da Akaer e Avibras, ficarem sem salários e terem os direitos cortados", acrescentou.