A quinta-feira (8) foi marcada por atos que ocorreram em diversas cidades do país, ao final do dia e início da noite. A data lembrou os três anos da tentativa de golpe de Estado, quando os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, provocando depredações e pediram intervenção militar, ao se recusarem a aceitar o resultado das urnas em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito.
Para responder às tentativas de novos golpes, milhares de manifestantes foram às ruas defender a democracia, a soberania nacional e se posicionarem contra o Projeto de Lei da Dosimetria, que diminui as penas dos presos acusados por tentativa de golpe de Estado. O presidente Lula vetou integralmente o projeto aprovado pelo Congresso Nacional, mas a oposição ao governo federal diz que vai derrubar o veto presidencial.
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Em São Paulo, capital, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), foi lido um “Manifesto em Defesa da Democracia, da Justiça e da Soberania Nacional”, escrito em conjunto pelo grupo de advogados Prerrogativas, pelo setorial jurídico do Partido dos Trabalhadores de São Paulo e pelo Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP.
O documento recebeu apoio de movimentos sociais, partidos políticos e advogados. “Três anos após frustrada tentativa de golpe de Estado e do plano de assassinato de um presidente da República eleito, seu vice e de um ministro da Suprema Corte, o dia 8 de janeiro é a data nacional de celebração da vitória da democracia, pois a memória é fundamental para que novos atos desse tipo não sejam tolerados”, diz o texto.
Antes da leitura do documento, opositores aos partidos de esquerda que organizaram o ato causaram um tumulto em uma das entradas do Salão Nobre, onde o evento foi realizado. Eles foram retirados do recinto aos gritos de “recua, fascista, recua”.
O Rio de Janeiro, reuniu representantes da CUT, das Centrais sindicais e movimentos sociais na Cinelândia, região central da capital. Os dirigentes da CUT ressaltam que é preciso eleger um Congresso que trabalhe para o povo invés de ser nosso inimigo.
Para o presidente da (CUT-RJ), Sandro César, a data simboliza a necessidade de vigilância permanente. “Esse ato marca mais um ano do inominável movimento que foi feito pelos golpistas do Brasil no sentido de aviltar a democracia brasileira, de derrubar o Estado Democrático de Direito. É algo que nós achávamos que estava distante, mas voltou a acontecer no Brasil”, disse Sandro.
Porto Alegre (RS)
Na capital do Rio Grande do Sul a manifestação foi na Esquina Democrática, com a presença da população e de líderes sindicais e de movimentos sociais.
Durante a manifestação, os participantes destacaram a importância da responsabilização dos envolvidos e rejeitaram qualquer possibilidade de anistia. Entre as palavras de ordem entoadas ao longo do ato estavam frases como “Sem anistia e sem dosimetria” e “Não vamos negociar nossa soberania”.
Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), destacou que o 8 de janeiro não pode ser tratado como um episódio encerrado, mas como parte de um processo contínuo de tentativa de ruptura democrática no Brasil. Segundo ele, o ato reafirma a necessidade de memória, responsabilização e defesa da soberania nacional e latino-americana, reunindo diferentes forças políticas e sociais em uma ampla frente democrática.
“Nós estamos aqui para dizer que esse dia 8 nunca mais será esquecido e não deverá ser esquecido pelo povo brasileiro, em função das experiências que tivemos com as ditaduras, cujas violências foram depois solapadas da história, com o apagamento da verdade e o perdão a quem fez o que fez no passado. Desta vez, é preciso responsabilização, dentro do devido processo legal, em respeito à democracia. Um Estado de direitos tem, sobretudo, o direito de julgar quem atenta contra ele, como foi o caso. Hoje é dia 8, e nesse dia 8 celebramos o veto do presidente Lula à dosimetria. Queremos que esse veto seja mantido e não seja questionado”, destacou Cenci.
No Recife (PE), na esquina da democracia e liberdade, a CUT Pernambuco, as centrais sindicais, movimentos sociais e políticos, estudantes, sindicatos filiados, parlamentares comprometidos com a democracia e partidos para o dia 8 de janeiro, realizaram um dia de luta em defesa da democracia brasileira e pela soberania na América Latina.
“Dizemos não à anistia e exigimos a responsabilização e punição dos culpados pelos ataques às instituições democráticas, conforme o Estado Democrático de Direito. Não aceitaremos retrocessos nem a normalização do autoritarismo”, enfatizou o presidente da CUT Pernambuco, Paulo Rocha.
Na capital mineira, Belo Horizonte, foram mais de mil pessoas reunidas na praça Fuad Noman, no Centro de Belo Horizonte, no final da tarde desta quinta-feira (8/1), para defender a democracia. A data marcou os três anos da tentativa de golpe de estado que ocorreu no país em 2023.
O ato reuniu populares, movimentos sociais, lideranças partidárias, parlamentares, militantes e sindicatos que defenderam não só a democracia brasileira como a soberania dos povos e, sobretudo, da América Latina, como destacou o presidente da CUT Minas, Jairo Nascimento.
“Esse ano é de eleições gerais, temos que mudar esse congresso para melhorar a vida do nosso povo brasileiro e dos povos da América Latina. O Brasil é liderança nesse processo de manter a autonomia e a soberania da América Latina. A gente não quer guerra, queremos construir a nossa riqueza. Nossa riqueza natural é altíssima, temos um povo trabalhador, temos tudo para crescer e virar um país imenso, mas não dá para deixar essa elite voltar, essa elite dos 1% que está doida para voltar para dar mais dinheiro para os ricos e tirar do povo”.
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Em Aracaju, Sergipe, na Praça General Valadão, no centro da capital, o ato teve a participação do presidente da CUT-SE, Roberto Silva, que defendeu a democracia e a soberania dos povos da América Latina.
Outras entidades sindicais estudantes, trabalhadores e lideranças políticas do estado aderiram ao movimento. Além de defenderem a democracia, os manifestantes destacaram temas como o enfrentamento à violência contra a mulher, a luta pela terra, a valorização da cultura e a defesa de direitos sociais.
Em Belém, no Pará, antes do ato começar uma forte chuva caiu na cidade. A concentração teve início às 17h, no Boulevard da gastronomia - em frente à estação das Docas.