A noite desta quinta-feira (27) foi marcada por debate, reflexão e construção coletiva durante a Plenária do Novembro Negro da CTB-SP, realizada em parceria com a CTB nacional. O encontro reuniu dirigentes, militantes, sindicalistas e parlamentares comprometidos com o enfrentamento ao racismo e com a defesa de políticas públicas voltadas à população negra.
Mediada por René Vicente, presidente da CTB-SP, a mesa contou com a participação da vereadora Najara Costa (PCdoB/Taboão da Serra), do secretário-geral do Sintect-SP e dirigente da Findect, Ricardo Adriane (Nego Peixe), e de Alfredo de Oliveira Neto, secretário de Igualdade Racial da CTB-SP. O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, também esteve presente, reforçando a centralidade da pauta racial no projeto sindical classista.
Logo na abertura, René Vicente destacou que “o debate coloca em evidência o papel do movimento sindical na luta antirracista e na construção de políticas públicas”, afirmando que resgatar a presença do Estado nesse processo é indispensável, pois “a luta antirracista também é parte estruturante da luta de classes”.
O encontro abordou temas como o genocídio da juventude negra, as persistentes desigualdades no mundo do trabalho, a urgência de políticas de promoção da igualdade racial e a importância histórica da PEC da Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, relatada pelo deputado Orlando Silva (PCdoB/SP).
Em sua participação, Alfredo de Oliveira Neto ressaltou o simbolismo de realizar a plenária no mês da Consciência Negra. Ele lembrou o crescimento da Marcha da Consciência Negra, realizada há 22 anos em São Paulo, destacando que “isso demonstra que estamos, de fato, construindo consciência e vendo na marcha a maior diversidade possível”. Para ele, o engajamento popular mostra que “o povo brasileiro está envolvido nessa luta contra a discriminação e o Brasil jamais vai se desenvolver enquanto o racismo imperar no país”.
Ricardo Adriane trouxe um resgate histórico fundamental para compreender a formação do racismo no Brasil. Ele lembrou que, de 1549 a 1850, a população negra resistiu com ações armadas contra a violência colonial, em movimentos que Clóvis Moura definia como “quilombagem”. Ao explicar a segunda fase da luta antiescravista, iniciada em 1850 com a proibição do tráfico de pessoas escravizadas, reforçou que “a disputa passou a ser travada no parlamento, em um processo lento de abolição que libertou formalmente, mas deixou a população negra sem terra, sem reparação e sem condições dignas de vida”. Acrescentou ainda que “o Brasil foi o último país das Américas a sair da escravidão e não construiu um arcabouço jurídico que defendesse plenamente a população negra”.
A vereadora Najara Costa reforçou que o racismo permanece estruturado no capitalismo brasileiro. Para ela, “não existe capitalismo sem racismo; o racismo é fruto desse sistema, da colonização, da exploração e da escravização”. Najara destacou ainda que não é possível falar em igualdade enquanto os índices de genocídio da população negra seguem alarmantes: “E, quando não é a morte matada, morrendo de bala ‘perdida’, é a morte pela falta de assistência médica, pela falta de emprego, por condições de vida insuficientes.”
A Plenária do Novembro Negro reafirmou o compromisso da CTB-SP e da CTB nacional com o fortalecimento da luta antirracista, com a ampliação da participação negra no movimento sindical e com a defesa de políticas públicas estruturantes. O encontro reforçou que enfrentar o racismo é também enfrentar as desigualdades do mundo do trabalho — e condição indispensável para a construção de um Brasil mais justo, igualitário e democrático.