O décimo quinto artigo do dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho”, organizado pelo Organizado pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) em parceria com as centrais sindicais, aborda a questão “Juventude, precarização e novos horizontes de resistência: o que de novo mostram as lutas pela vida além do trabalho?“. O artigo é assinado por Natália Cindra e Tiago Magaldi.
Jovens, negros e precarizados
O levantamento mostra que o comércio e as plataformas digitais concentram uma das maiores parcelas de jovens trabalhadores do país — majoritariamente negros, periféricos e com ensino médio completo, mas com salários baixos e jornadas longas. Segundo o estudo, cerca de 42% dos trabalhadores do comércio têm menos de 29 anos, e grande parte deles cumpre jornadas que comprometem a vida familiar, o estudo e o descanso.
Nas plataformas, a realidade é ainda mais dura:
- jornadas que ultrapassam 12 horas,
- renda instável,
- ausência total de proteção social e
- forte dependência dos algoritmos que controlam ritmo e remuneração.
Greves e paralisações no comércio e nos aplicativos
O estudo relembra episódios recentes de paralisações de jovens comerciários no Rio de Janeiro, que, diante de jornadas exaustivas, salários baixos e desrespeito no ambiente de trabalho, organizaram greves espontâneas que mobilizaram o setor e geraram novas lideranças.
Já no caso dos entregadores, movimentos como o Breque dos Apps revelam a capacidade de articulação digital, horizontal e de ampla visibilidade social — especialmente entre jovens periféricos que rejeitam a narrativa de empreendedorismo individual imposta pelas plataformas.
Escala 6×1 como símbolo da exploração
A escala 6×1, destaca o artigo, aparece como marca histórica da sobrecarga e como barreira ao direito ao descanso e ao convívio social. É também um dos principais elementos que aproximam as experiências do comércio e das plataformas, evidenciando a urgência de uma política pública de redução da jornada.
Os autores concluem que as novas lutas da juventude trabalhadora têm implicações diretas para o movimento sindical, para o debate sobre regulação do trabalho digital e para a reconstrução de um modelo de trabalho digno no país.
A defesa da redução da jornada — e o fim da escala 6×1 — emerge não apenas como reivindicação setorial, mas como projeto de sociedade, no qual o tempo livre e a qualidade de vida deixam de ser luxo e passam a ser direito.
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