Notícia - Vai ter luta! Patrões da Construção Civil de Belém (PA) oferecem zero de aumento real

Apesar do derrame de bilhões de reais de dinheiro público que transformou Belém (PA) “num canteiro de obras”, os empresários da construção civil tiveram a cara de pau de apresentar uma proposta que apenas repõe a inflação: 5,13% de reajuste salarial.

Como se isso não bastasse, apesar do povo pobre e trabalhador sofrer com a inflação dos alimentos, o aumento oferecido no valor da cesta básica (hoje de R$110 por mês) foi de apenas R$ 6. Um absurdo!

A resposta da categoria que tem tradição de luta foi a organização. No último período de Campanha Salarial, foram organizadas reuniões, seminários e debates em centenas de obras pela capital paraense.

A pauta dos trabalhadores aprovada em assembleia geral não deixou de levar em conta a enorme quantia de investimento que a cidade recebe para organizar o encontro mundial da COP 30, que ocorrerá em novembro.

A defasagem salarial e nos direitos trabalhistas, em grande parte causada pela superexploração da mão de obra, ainda é uma chaga cravada na vida dos operários, apesar da combatividade do sindicato.

Desta vez, frente ao montante investido em obras, os trabalhadores esperavam algum grau de concessão, afinal de contas o próprio setor se gaba de um crescimento vertiginoso para além da COP 30. “A expectativa é de continuidade no crescimento, com aceleração das reformas, lançamentos e negociações, sobretudo para locações de curto prazo. Após a COP, a tendência é que Belém mantenha parte desse dinamismo”, afirmou um representante do setor imobiliário.

No entanto, o que se viu nas mesas de negociação foram os patrões decretando “zero por cento de aumento real nos salários”. Com isso, fica claro que não há outro caminho para os operários que não seja o da luta.

 

Negociação

Uma rodada de negociação ocorreu na terça-feira (26). Participaram o Sindicato da Construção Civil de Belém, filiado à CSP-Conlutas, acompanhado de uma comissão de 12 trabalhadores da base.

Também estiveram presentes representantes dos Sindicatos de Ananindeua e Marituba, cidades da região metropolitana da capital, e o sindicato patronal que, de maneira cínica, expôs suas "dificuldades".

Indignados, os trabalhadores irão organizar uma nova assembleia geral da categoria nesta quinta-feira (28). A expectativa é que a categoria novamente se recuse a aceitar a proposta rebaixada apresentada pelos patrões.

 

Vai ter luta!

O que se vê nas dezenas de canteiros de obras já visitados é a disposição em defender a pauta da categoria, exigir que a patronal a atenda, já que a nova rodada de negociação está agendada para o próximo dia 4 de setembro.

“Diante da péssima sinalização dispensada pelos empresários, no entanto, a assembleia deve decidir por criar um calendário de mobilização intensa”, explica Atnágoras Lopes, diretor do Sindicato e membro da Executiva Nacional da CSP-Conlutas..

“Já que é este o cenário provocado pelos empresários, temos de lançar mão de todos os métodos da luta de classes, como atos, protestos, paralisações e até uma possível greve no radar desse processo, devido a postura repugnante desta patronal”, conclui.


Fonte:  CSP-Conlutas - 28/08/2025

 

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