Neste segundo semestre, várias categorias têm data-base e estão mobilizadas em campanha salarial. É o caso de metalúrgicos, petroleiros, bancários, trabalhadores de indústrias químicas, dos Correios, servidores municipais, entre outras, que vão à luta por reajustes salariais e direitos. Uma mobilização fundamental como evidencia a recente pesquisa “Saúde Financeira e Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro 2025”, da SalaryFits.
Segundo o levantamento, mais da metade dos trabalhadores brasileiros não consegue manter o salário até o fim do mês. São 54% dos assalariados CLT ou contratados como pessoa jurídica (PJ) que veem o dinheiro acabar antes da virada do mês. Embora represente uma leve melhora em relação a 2024, quando esse índice era de 62%, os dados continuam a revelar a precariedade da renda da maioria da classe trabalhadora.
Para enfrentar a insuficiência salarial, 49% dos trabalhadores afirmam recorrer a rendas extras – seja com horas dobradas, trabalhos informais, ou por meio de linhas de crédito que aprofundam o endividamento. Ainda assim, existe um grupo de 5% que chega ao final do mês sem dinheiro e não dispõe de alternativas.
O destino do salário também revela a dificuldade do cotidiano: alimentação e contas básicas de água, luz e gás consomem a maior parte da renda, seguidos por financiamentos, empréstimos e despesas com consumo e educação. Nos últimos 12 meses, 33% dos entrevistados se tornaram negativados, e em cinco anos, 66% já enfrentaram problemas financeiros.
Os dados mostram também que apenas 2 em cada 10 entrevistados têm pleno controle sobre sua vida financeira, e que uma em cada quatro pessoas teria condições de custear uma despesa inesperada de R$ 10 mil. Ou seja, a imensa maioria não consegue formar uma reserva de emergência, permanecendo vulnerável a qualquer imprevisto.
Trabalhadores vão à luta
Para o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, que é filiado à CSP-Conlutas e já iniciou a campanha salarial da categoria, entre os principais fatores que explicam esse cenário estão os baixos salários, que não são suficientes para cobrir os gastos essenciais do brasileiro médio.
Este ano, os metalúrgicos reivindicam 11% de reajuste salarial, o fim da escala 6x1, estabilidade no emprego, melhores direitos e condições de trabalho, além de exigir medidas como a revogação da reforma trabalhista.
“Este é um momento de luta coletiva da categoria. Estamos demonstrando que os trabalhadores estão determinados a conquistar mais direitos e um reajuste salarial compatível com o custo de vida enfrentado pelos brasileiros. Seguimos firmes na luta”, declarou o diretor do Sindicato, Arthur Cezário dos Santos.
Trabalhadores dos Correios também estão mobilizados e a base cobra das direções o chamado a uma greve nacional para o dia 16 de setembro. Operários e operárias da Construção Civil de Belém (PA) também estão em luta e em unidade com o Sindicato de Ananindeua (PA) formaram uma comissão de base para negociar a campanha salarial do setor. Servidores municipais de Caraguatatuba estão em luta e programam uma paralisação na próxima quinta-feira, dia 28. Esses são alguns exemplos de categorias em luta pelo país.
A CSP-Conlutas reafirma todo apoio às categorias mobilizadas. O caminho é a organização, unidade e luta para conquistar as reivindicações, enfrentar os ataques dos governos e patrões e a exploração capitalista.
Com informações: Serasa Experian e Sindmetalsjc