Artigo - A vitória de Lula veio das ruas e redes. É nelas que defenderemos o Brasil

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do último domingo (25) é, acima de tudo, uma vitória da mobilização popular, da democracia e da classe trabalhadora brasileira. Uma conquista construída por milhões de mãos, que demonstraram a força de um povo organizado quando decide tomar para si os rumos do país.

Nas últimas semanas, assistimos a uma das maiores mobilizações populares e orgânicas da nossa história recente. As ruas foram tomadas por manifestações, as redes sociais se transformaram em espaços de disputa política e milhares de pessoas se envolveram na defesa dos direitos sociais, da soberania nacional e da democracia.

Não foi uma vitória construída apenas nos palanques. Foi conquistada nas fábricas, nos bairros, nas comunidades, nas universidades e nas conversas entre amigos e familiares, com jovens e idosos. Uma mobilização que nasceu da consciência de que havia muito em jogo, especialmente para quem vive do próprio trabalho.

Neste momento de celebração, quero agradecer especialmente ao movimento sindical, aos sindicatos, federações e confederações filiados à CUT-SP e a todos os dirigentes e militantes envolvidos nessa caminhada.

Nossas entidades não se omitiram. Organizaram brigadas de luta, mobilizaram trabalhadores e trabalhadoras, promoveram debates e levaram informação aos locais de trabalho e às comunidades. Foi um esforço incansável de conscientização sobre os projetos em disputa e os riscos que estavam colocados para os direitos trabalhistas, a aposentadoria e os serviços públicos.

Essa atuação reafirmou um princípio fundamental: sindicato também faz política. A Nota Técnica PGT/MPT nº 6/2026, assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, reconhece que a liberdade sindical inclui o direito de promover debates, avaliar programas de governo e manifestar apoio ou oposição a políticas públicas e candidaturas, respeitada a legislação eleitoral.

Sindicato não é apenas instrumento de negociação salarial. É organização coletiva, formação política e luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

Uma vitória diante de enormes adversidades

A reeleição de Lula aconteceu em meio à resistência de setores do grande empresariado, do mercado financeiro e de grupos de comunicação, além dos desafios impostos pelas grandes plataformas digitais, pelas bets, pela desinformação e pela influência de interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos.

Nos momentos finais da eleição, denúncias de restrições à circulação de ônibus e dificuldades no transporte de eleitores em diferentes municípios levaram à abertura de investigações pela Polícia Federal. Esses episódios exigem rigorosa apuração e, caso seja comprovada a tentativa deliberada de impedir o exercício do voto, responsabilização dos envolvidos.

Apesar das adversidades, o povo brasileiro compareceu às urnas e decidiu. Com mais de 64 milhões de votos, Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, reafirmando a confiança de milhões de brasileiros em um projeto comprometido com a valorização do trabalho, os direitos sociais e a soberania nacional.

A eleição terminou. A mobilização, não!

Celebrar essa vitória é necessário, mas a eleição não encerra os desafios. O quarto mandato de Lula precisará de uma sociedade organizada, participativa e disposta a lutar para transformar os compromissos de campanha em realidade.

Nenhuma conquista histórica da classe trabalhadora nasceu apenas da vontade de um governo. O fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial são exemplos da força da mobilização popular e sindical.

Por isso, seguiremos defendendo os avanços e cobrando sua implementação. Também será necessário acompanhar as movimentações de Flávio Bolsonaro e de seus aliados após a derrota eleitoral. Divergências políticas fazem parte da democracia; tentativas de desestabilização institucional, não.

Outro desafio será manter a mobilização nas redes sociais, que se consolidaram como espaços fundamentais de disputa política. Nossa atuação tem demonstrado, inclusive para outros países, a importância da organização popular também no ambiente digital para enfrentar a desinformação e barrar o avanço da extrema direita.

A disputa por direitos e pelos rumos do Brasil não acontece apenas a cada quatro anos. É permanente e exige organização, consciência política e participação popular.

A CUT-SP seguirá nas ruas, nas redes e nos locais de trabalho, fortalecendo a luta de classes, seus sindicatos e os movimentos sociais. A eleição passou. A luta por direitos, democracia e justiça social continua!

Viva Lula! Viva o povo brasileiro!



Raimundo Suzart
presidente da CUT São Paulo

 

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