O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou no fim de julho os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) com base nos indicadores do primeiro semestre deste ano de 2026.
Os dados são positivos. No mês de junho, o saldo positivo dos empregos criados foi de exatos 145.161. Com isso, o mercado de trabalho formal no Brasil, no primeiro semestre, gerou 921.645 novos postos de trabalho.
Esses números apontam, sempre segundo o MTE, que o total de empregos com vínculos trabalhistas no país alcançou 48.032.308 no fim do semestre encerrado em junho.
Com exceção dos estados do Espírito Santo e Tocantins, por fatores sazonais, todas as outras 25 unidades da Federação apresentaram saldo positivo.
Esse incremento dos vínculos trabalhistas faz com que a taxa nacional de desemprego atinja os menores níveis históricos, um indicador importante para medir a mobilidade social e a desigualdade no país.
Todas as camadas foram beneficiadas
A esse respeito, vale citar análise do professor aposentado de Economia da Unicamp Waldir Quadros. Segundo ele, “todas as camadas foram beneficiadas pela mobilidade social no triênio 2023-2025”.
O professor Quadros mostra que a mobilidade social não é maior devido “à falta de um sistema de produção industrial moderno”. Segundo ele, a desindustrialização “resulta, entre outros malefícios, em atraso tecnológico, baixo crescimento, limitada geração de empregos qualificados e precárias oportunidades ao pequeno negócio”.
Corroborando a tese do professor, o Caged aponta que o recorde de empregos criados e o baixo desemprego, dados positivos, são atenuados pelo salário médio real de admissão em junho, de apenas R$ 2.404,34.
O Brasil, no entanto, melhorou – e muito – com o terceiro governo de Lula, depois da tragédia bolsonarista que havia jogado para baixo todos os indicadores econômicos e sociais.
Por isso, o movimento sindical brasileiro, após a realização da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em abril deste ano, aprovou uma importante agenda para avançar nas conquistas.
A agenda unitária do Fórum das Centrais Sindicais defende um projeto nacional de desenvolvimento com soberania, democracia e valorização do trabalho. Para tanto, é essencial ter uma indústria forte, geradora de empregos de qualidade e com melhores salários.
Tudo isso precisa vir acompanhado da luta contra a precarização do trabalho, pela redução da jornada sem diminuição de salários, pela preservação da política de valorização do salário-mínimo.
Essa pauta, para se tornar vitoriosa, precisa, antes de tudo, da reeleição do presidente Lula em outubro. Por isso, a batalha para derrotar uma vez mais a extrema-direita deve estar no topo da agenda do sindicalismo classista.