É inadmissível que São Paulo, maior centro econômico do país, continue sendo palco de casos de exploração humana, trabalho escravo e tráfico de pessoas. A recente notícia envolvendo uma adolescente paraguaia de apenas 15 anos, desaparecida em Ciudad del Este e encontrada em situação precária em Guarulhos, na Grande São Paulo, com sua filha recém-nascida de apenas um mês, escancara uma realidade cruel da cidade mais rica do Brasil.
A menor de idade trabalhava como cozinheira em uma oficina de costura, onde moravam outros 17 estrangeiros, e dormia em um quarto improvisado. Ela relata ter recebido apenas R$10 desde a chegada ao local, que possuía apenas um banheiro para todos os trabalhadores.
É revoltante pensar que, em pleno 2026, em uma metrópole que concentra riqueza como poucas no mundo, ainda existam oficinas clandestinas, ambientes degradantes e esquemas de exploração que roubam dignidade, liberdade e futuro de mulheres, jovens, imigrantes e trabalhadores. Não há desenvolvimento possível onde pessoas são submetidas a condições degradantes.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo repudia com veemência qualquer forma de trabalho escravo, tráfico humano e violação de direitos trabalhistas. Atos que aconteceram ao longo dos anos, como no caso da rede Starbucks em janeiro e em regiões emblemáticas da capital, como a Oscar Freire, reafirma nosso compromisso no enfrentamento dessas questões, cobrando o cumprimento de direitos trabalhistas de empresas que lucram milhões e tratam seus trabalhadores com pouca ou nenhuma dignidade.
Casos como esse não devem passar batido e não são exceção, pelo contrário: segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 68% das pessoas identificadas em condições de trabalho escravo no ano passado foram resgatadas no meio urbano, superando o meio rural, sendo o Estado de São Paulo com o maior número ações fiscais.
A população e autoridades do Estado não devem fechar os olhos para o que acontece diariamente em diversos estabelecimentos da cidade, muito além do meio textil. É preciso uma investigação rigorosa, punição dos responsáveis e uma ação permanente de fiscalização e combate às redes de exploração que lucram com a vulnerabilidade humana.
São Paulo não pode aceitar que, por trás de sua riqueza, ainda sobrevivam práticas que remetem ao que há de mais cruel e desumano. O Sindicato dos Comerciários de São Paulo se soma a todas as vozes que exigem justiça, proteção às vítimas e tolerância zero contra o trabalho escravo e o tráfico humano.