Artigo - A extrema direita é inimiga mortal da classe trabalhadora brasileira

O fascismo é a expressão ideológica e política de um capitalismo em crise e de uma ordem imperialista decadente e em decomposição.

Nos países da América Latina, o fenômeno adquire uma particularidade na medida em que está associado a uma agenda falsamente patriótica, entreguista e lacaia dos Estados Unidos e de Donald Trump.

Seu caráter profundamente anti nacional transparece na conduta política de seus principais líderes, Javier Miley na Argentina e Jair Bolsonaro, no Brasil, ambos aliados subservientes do atual ocupante da Casa Branca.

Último refúgio do neoliberalismo

Em nossa região o neofascismo pode ser considerado também como o último refúgio do neoliberalismo.
A agenda antissocial dos neoliberais e o fracasso de suas políticas econômicas provocaram revolta nos povos e resultaram em reiteradas derrotas de seus defensores nas urnas.

Para impor o projeto neoliberal a qualquer preço as classes dominantes estão agora apostando suas fichas na extrema direita, no neofascismo, em detrimento da democracia ou do chamado Estado Democrático de Direito.
Não é está mais uma evidência de que o neoliberalismo não prospera com liberdade, soberania e democracia?

Retórica falsa

Notemos que os neofascistas exploram, de forma demagógica embora competente, os sentimentos de revolta e indignação da classe trabalhadora diante das iniquidades intrínsecas ao sistema capitalista e aos sofrimentos e desastres que acompanham suas intermináveis crises.

Apresentam-se como antissistema, embora com uma agenda que na verdade visa a destruição do Direito do Trabalho e o fortalecimento, a radicalização e a perpetuação do sistema capitalista.

Apesar de falso, a retórica antissistema dos neofascistas, associado a uma poderosa indústria de Fake News, engana muita gente e contribui para conferir certo caráter de massa aos movimentos da extrema direita, que obteve relevantes vitórias eleitorais em nosso continente.

Fim da escala 6×1

O comprometimento dos políticos neofascistas com o capitalismo, o imperialismo e o grande capital é notório e indisfarçável.

Neste momento em nosso país eles mobilizam suas forças para impedir a votação do projeto que acaba com a desumana escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada de trabalho sem redução de salários, garantindo aos trabalhadores e trabalhadoras dois dias de descanso por semana.

Pobre não tem direito a descanso?

Um de seus líderes na Câmara Federal, o presidente dos Republicanos, Marcos Pereira, chegou a dizer que pobre não deve ter direito a tempo livre, pois não saberia o que fazer com um dia livre.

Trata-se de uma luta prioritária e central da nossa classe trabalhadora e do movimento sindical, bem como de um anseio de dezenas de milhões de assalariados apoiado por mais de 70% da população brasileira, segundo pesquisas.

A bandeira da redução da jornada sem redução de salários estará no centro da Marcha da Classe Trabalhadora que será realizada nesta quarta-feira, 15 de abril, em Brasília.

Frente ampla

Não temos a menor dúvida de que o fascismo é hoje, como foi ontem, o principal inimigo da classe trabalhadora e dos povo, de forma que devemos enfrentá-lo e derrotá-lo em todas as esferas.

As lições do passado indicam que devemos formar, sob a liderança da classe trabalhadora, a mais ampla frente social e política em defesa da democracia para derrotar a extrema direita.

Por isto, a última Resolução Política da Direção Nacional da CTB, sustenta que as eleições deste ano no Brasil para a Presidência da República, Congresso Nacional, governos e legislativos dos estados, serão decisivas para o futuro da pátria e da classe trabalhadora,

Consciência de classe

Consideramos fundamental trabalhar diuturnamente para elevar a consciência da classe trabalhadora sobre a relevância desta batalha, a necessidade de alterar a composição do Congresso Nacional e fortalecer as bancadas da frente ampla e da esquerda nos estados e municípios para viabilizar o fim da desumana escala 6×1 e avançar na pauta da classe trabalhadora.

É imprescindível reunir e mobilizar forças para reeleger Lula e derrotar a extrema direita, barrar as forças do retrocesso, defender a democracia, a soberania, os direitos sociais e avançar nas conquistas do povo brasileiro, criando condições para transformações sociais e políticas mais profundas de sentido socialista.

Socialismo

É indispensável reiterar que o avanço da extrema direita mostra que a humanidade está mais uma vez diante do dilema mencionado pela revolucionária Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie.

O socialismo é a única saída progressista para as crises recorrentes e cada vez mais dramáticas do capitalismo e do imperialismo. É nosso dever irrevogável, como representantes da classe trabalhadora, lutar vigorosamente em sua defesa e por por sua vitória.


Adilson Araújo
Presidente nacional da CTB

 

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