Vivemos o choque entre forças antagônicas. De um lado o Norte, liderado pelos EUA, que há décadas sustenta sua hegemonia por meio de guerras, dívida externa impagável e a exploração do Sul como fornecedor de commodities e mão de obra barata. Um império decadente, que sente o terreno escapar sob os pés, mas que parece disposto a “cair atirando”, com medidas cada vez mais irresponsáveis, que ameaçam a estabilidade do mundo.
Em paralelo assistimos à ascensão do Sul Global, tendo a China como referência de superpotência com modelo próprio. Mais do que um polo econômico, a China estimula a cooperação entre as nações (como nos Brics ou na Nova Rota da Seda), e coloca a infraestrutura como eixo do desenvolvimento, em contraste com a financeirização predatória que conhecemos tão bem.
A questão não é apenas saber “quem vencerá”, mas qual projeto será capaz de oferecer um futuro com trabalho digno, soberania e justiça para os povos do Sul?
Essa conjuntura complexa não é abstrata para a classe trabalhadora. Para o frentista, esse rangido das estruturas do poder geopolítico mundial não é metáfora, é o preço da gasolina subindo, o posto sendo vendido, a rotatividade cada vez mais veloz do mercado de trabalho. A falta de uma política de Estado para o setor – como a defesa da Petrobras e a reestatização da BR Distribuidora – nos torna ainda mais vulneráveis aos choques externos, que impactam o bolso do trabalhador e a estabilidade do setor.
A questão não é torcer por um polo ou outro. É saber, de que lado estará a força organizada dos trabalhadores. Nossa tarefa imediata não é esperar o desfecho da disputa entre grandes potências. É construir unidade no chão de fábrica, no posto e na estrada. É eleger representantes que estejam comprometidos com a nossa dignidade, não com a agenda do mercado. É mostrar que a classe trabalhadora tem projeto próprio — e que esse projeto passa por soberania, trabalho digno e justiça.