Artigo - Estudar para não ser explorado

Começamos o ano de 2026 com muita vontade de trabalhar para fortalecer a Classe Trabalhadora brasileira, a começar por aqueles que se encontram em duas realidades preocupantes: ou trabalham para pagar os estudos e, por isso, acabam tendo mais dificuldade de se formar; ou então, ao invés de estarem nas salas de aula formando seus sonhos, estão lutando para pôr comida na mesa da própria família. Essas duas realidades têm uma coisa em comum: a exploração da mão de obra. Infelizmente, alguns empresários perpetuam a miséria ao se aproveitarem de jovens em situação de vulnerabilidade e os contratam para trabalhar por salários defasados, muitas vezes por meio da informalidade, mascarando o que eles chamam de “oportunidade”, que no final das contas não passa de abuso, onde jovens cumprem jornadas excessivas, não recebem estímulos para estudar e se qualificar, e acabam ficando rendidos a um sistema que enriquece às custas do abuso, principalmente no Norte e no Nordeste do País, onde a pobreza estrutural empurra jovens para o mercado informal ou para empregos de baixa remuneração, em vez de permitir que frequentem o ensino regular.

Pesquisa nacional (IBGE) mostra que 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos abandonaram os estudos ou nunca chegaram a frequentá-los. Enquanto isso, entre os que conseguem seguir estudando até o ensino superior, a diferença socioeconômica é gritante: apenas cerca de 7,4% dos jovens das famílias mais pobres chegam à universidade, contra mais de 60% entre os jovens das famílias mais abastadas. Como dirigente sindical comerciário, posso dizer que essa realidade me preocupa ainda mais. Isso porquê o comércio continua sendo a porta de entrada para o mercado de trabalho de muitos jovens, que acabam seguindo a vida de um emprego para outro, deixando de lado os estudos.

Parcerias entre sindicatos, governos e empresas para criar programas de formação técnica profissional integrada com emprego decente, garantindo que o jovem possa estudar e trabalhar com direitos e proteção social tem sido uma saída eficaz para essa problemática, a exemplo das ações da Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo, que é presidida pelo deputado federal Luiz Carlos Motta, um grande entusiasta da educação de jovens no Brasil. A entidade desenvolveu, recentemente, um programa de qualificação profissional que oferece mais que um emprego. Dá aos comerciários uma oportunidade de crescimento profissional através da educação – um impulso nas economias locais, com jovens mais bem remunerados. Isso sem contar com os descontos que os sindicatos de comerciários oferecem aos seus associados para que eles tenham a chance de cursar uma universidade com valores acessíveis.

Esse mês, os comerciários de todo o Estado de São Paulo estão recebendo dos Sindicatos que os representam um benefício que incentiva a permanência de crianças e jovens na escola, os kits de material escolar, um grande auxílio para que as famílias não fiquem impossibilitadas de mandar seus filhos para a escola. Isso é fundamental para combater o trabalho infantil, uma bandeira antiga do sindicalismo.

Para esse ano, meu desejo como liderança sindical é que a luta por dignidade, por igualdade de oportunidades e por uma educação siga como nosso compromisso inegociável, contra a exploração, em prol da qualificação profissional da nova geração.


Milton de Araújo
presidente do Sindicato dos Comerciários de Jundiaí e Região e diretor cultural da Fecomerciários

 

O Mundo Sindical e os cookies: nós usamos os cookies para guardar estatísticas de visitas, melhorando sua experiência de navegação.
Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.