Notícia - Negociação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC com a Anfavea sobre a pandemia tem avanços

A segunda rodada de reunião dos Metalúrgicos do ABC com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) sobre ações de enfrentamento da pandemia foi realizada na tarde de ontem com avanços.

A discussão tratou dos pontos da proposta “Acordo Marco Emergencial em Defesa da Vida e do Trabalho” apresentada pelo Sindicato na segunda-feira, dia 15. No mesmo dia, o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e o governador do Estado, João Doria, também receberam o documento. 

O Sindicato defende ações conjuntas entre representantes dos trabalhadores, empresas e poder público, já que não há uma coordenação nacional que lidere o processo. Um ano depois de seu início, o Brasil enfrenta o pior momento da pandemia, com recordes de mortes, colapso do sistema de saúde e falta de vacinas.

“A Anfavea se mostrou à disposição para auxiliar na compra de vacinas e também para apoiar o sistema público de saúde no que está em falta para o atendimento dos pacientes com Covid-19”, afirmou o diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC e presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva.

“Para efetivar esses dois pontos, sugerimos uma reunião da Anfavea com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne as prefeituras das sete cidades da região”, contou.

Sobre a necessidade de isolamento social, os representantes patronais se mostraram preocupados, mas pediram um tempo maior para discutir internamente um entendimento entre todas as montadoras do país.

“Devemos voltar a conversar até amanhã sobre este ponto fundamental, já que quase não há vacinas e as pessoas estão morrendo sem atendimento no país. Defendemos o isolamento, mas também as condições para que os trabalhadores e as empresas se mantenham no período”, reforçou.

Câmara dos Deputados

Outro tema da pauta é a interlocução com o poder público para dar condições de efetivar as demandas. Para isso, Aroaldo estará hoje com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, para apresentar as propostas e colocar a preocupação dos trabalhadores sobre as medidas necessárias para o momento.

“Entre elas o programa de manutenção de emprego e renda, a criação de mecanismos para a iniciativa privada dar suporte ao sistema público de saúde e a urgência de um plano nacional para utilizar a capacidade industrial na questão reconversão produtiva das empresas. Outro ponto é a necessidade de crédito, principalmente para as micro, pequenas e médias empresas, que têm mais dificuldade de acesso”, explicou.

“Também vamos reforçar as pautas do movimento sindical, como a garantia do auxílio emergencial para todos que precisam. Além de pautar a iniciativa privada a ajudar, o governo precisa ter um plano nacional de vacinação já. Não existe a dicotomia entre saúde e economia, as duas coisas andam juntas. Só quando resolver a pandemia com a vacinação é que vamos ter a economia crescendo”, concluiu.

Propostas

Isolamento social

Que os trabalhadores permaneçam em isolamento social. Para isso, é preciso políticas públicas que deem condições para assegurar a renda, a manutenção dos empregos e das próprias empresas.

Vacina

Estruturar a aquisição compartilhada de vacinas junto às secretarias municipais de saúde ou consórcios públicos, a exemplo do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, como forma de acelerar o processo de imunização da população.

No primeiro momento, a doação deverá ser feita 100% para o SUS regional. Após a vacinação de todo o grupo prioritário, as empresas deverão doar 50% para o SUS e poderão usar 50% das vacinas em seus trabalhadores.

Apoio

Criação de rede de apoio ao sistema público de saúde regional para suporte às necessidades de cada cidade. Que o setor privado auxilie com os insumos de saúde necessários e profissionais em falta no setor público.

Reconversão industrial e crédito

Estruturação de agendas e interlocução junto aos poderes executivo e legislativo nacional, com vistas à criação de condições para projetos de:

1. reconversão industrial como forma de ampliação da capacidade de resposta do sistema público de saúde e da manutenção da atividade econômica;

2. aquisição de crédito para as empresas da cadeia produtiva das montadoras.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - 18/03/2021


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