Notícia - Sindicato promove "Encontro de Gerações: 42 anos da Greve Geral de 1979"

“Não temos como planejar nosso futuro se não aprendermos com o passado, o passado está sempre interligado com o futuro. Nossa conjuntura tem ligação com muita coisa que aconteceu antes. Hoje vivemos um governo fascista, negacionista e no passado eles viveram a ditatura, a violência o ódio”, afirmou o secretário-geral do Sindicato, Moisés Selerges, que mediou a live.

“Têm muitos jovens que entram numa fábrica grande e acham que sempre foi assim, mas se hoje temos uma condição de trabalho melhor e mais respeito pela classe trabalhadora, isso se deve aos companheiros e companheiras que lutaram antes, que faziam a assembleia na mesa e sem microfone”.

O presidente da Associação dos Metalúrgicos Anistiados e Anistiandos do ABC, João Paulo Oliveira, contou detalhes de como tudo começou e lembrou que na época o Sindicato estava sob intervenção militar, motivo pelo qual as assembleias eram feitas em espaços públicos. 

“Costumo dizer que a greve de 1979 teve início em 1978 com a retomada das greves, aquele momento em que pegamos os patrões de calça curta, aquilo serviu como um aprendizado. No final do ano iniciamos as articulações para 79 e a direção do Sindicato começou a chamar as reuniões por fábrica, essas reuniões eram subdivididas. A militância era clandestina, a gente não podia aparecer”.

Ele contou alguns motivos, além do aumento salarial, que levaram a categoria a parar naquele momento. Os trabalhadores tinham poucos direitos e eram desrespeitados, por exemplo, na utilização e controle de tempo dos banheiros, mudar essas situações arbitrárias também era pauta da categoria na época.

“Eram absurdos que aconteciam e brigávamos para que acabassem. Isso fazia com que trabalhadores das pequenas empresas ficassem com mais interesse nas lutas, a questão salarial deles era tão importante quanto esses controles internos da empresa. E a comissão de mobilização foi um dos sustentáculos para o sucesso da greve”.

“Hoje temos mais condições de trabalho, mas continuamos sendo lesionados e explorados pelo capital. É importante relatar para mostrar os contrastes, o trabalho feito pelos companheiros naquela época foi fundamental, mas ainda temos muito o que lutar. Temos que enxergar o Sindicato como ferramenta de luta para continuar avançando”, observou o coordenador do Coletivo da Juventude Metalúrgica do ABC, Américo José Galvanho Júnior, o Juninho.

A greve de 1979

No dia 13 de março de 1979, uma terça-feira, os metalúrgicos de São Bernardo e Diadema iniciaram a histórica greve da categoria que marcaria a história do sindicalismo brasileiro. Os metalúrgicos reivindicavam 78% de aumento, recusando os 44% oferecidos pelo sindicato patronal.


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - 16/03/2021


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