Notícia - Trabalhadores em obra da Klabin no PR conquistam direito a recesso de fim de ano

Trabalhadores do canteiro de obras de uma nova unidade da Klabin, entre as cidades de Ortigueira e Telêmaco Borba, no interior do Paraná, decidem em assembleia, na manhã desta sexta-feira (6), se aceitam o acordo oferecido pela empresa para o recesso de fim de ano.

A empresa havia anunciado que não haveria recesso este ano para compensar o período de paralisação durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), fato que revoltou os trabalhadores. 

A negociação foi mediada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Paraná (Sintrapav-PR/CUT) em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores na Construção de Telêmaco Borba (Sintracom-TB) e foi concluída em reunião com a Klabin nesta quarta-feira (4).

O presidente do Sintrapav, Raimundo Ribeiro Santos Filho, o Bahia, ressalta que a atuação do sindicato foi crucial para que não houvesse uma paralisação maior dos trabalhadores. “Quando souberam da empresa que não haveria recesso este ano, a fim de colocar o cronograma da obra em dia, os trabalhadores se revoltaram e o sindicato, então deu início a negociação com a empresa para garantir o direito ao descanso”.

O acordo a ser aprovado em assembleia é considerado uma vitória pelo sindicalista, já que além da possiblidade de trabalhadores voltarem para casa no Natal e no Ano Novo, outras condições foram tratadas na negociação.

“O acordo inclui a passagem de ida e volta para casa, pagamento de despesas com alimentação e possiblidade para quem não quer o recesso, trabalhar nos dias 28, 29 e 30 de dezembro, ganhando hora estra com 100%”, comemora o dirigente.

Além disso, como forma de estímulo aos trabalhadores que eventualmente possam trabalhar neste fim de ano, haverá um ‘festival de prêmios’, em que serão sorteados um carro zero quilômetro, TV´s, notebooks e bicicletas.

O acordo também inclui a compensação de trabalho em dois feriados locais – 14 de dezembro e 20 de janeiro.

Mas a grande vitória mesmo é possibilitar que os trabalhadores possam rever suas famílias. É muito tempo desde o começo da pandemia, um tempo em que os trabalhadores ficaram longe de casa- Raimundo Ribeiro Santos Filho

 

A volta para casa

A necessidade do recesso para os trabalhadores, de acordo com o presidente do Sintrapav-PR, é urgente para muitos deles. Raimundo explica que quando começou a pandemia, a obra foi paralisada e alguns voltaram para casa. “A obra ficou parada do dia 23 de março até o dia 15 de abril, quando tudo era novidade, era incerto e começava a causar um pavor nas pessoas”.

Os trabalhadores foram dispensados, mas a obra voltou após a paralisação inicial. Houve então a negociação da suspensão de contrato de trabalho para os funcionários, de maneira escalonada. No total, apenas cerca de 500 trabalhadores permaneceram. Até o fim do mês de junho, no entanto, todos já haviam voltado às atividades.

Nesse momento de retorno ao trabalho, muitos trabalhadores tiveram de cumprir isolamento social mais rígido, dentro de seus alojamentos, por apresentarem sintomas de Covid-19.

“O resultado de tudo isso é que a grande maioria dos trabalhadores não vê a família faz muito tempo e precisa desse tempo. Imagine ficar ilhado durante três meses, isolados, sem ver a família”, diz Raimundo.

A realidade foi ainda mais dura para quem é de longe da região que mesmo podendo voltar para casa em suas folgas, não encontravam passagens de ônibus ou avião, já que os transportes tiveram redução de oferta de horários.

Raimundo conta que a soma desses fatores acabou gerando stress e um desgaste psicológico grande nos trabalhadores.

“Depois de toda essa situação, saber que não vai poder viajar no Natal revoltou os trabalhadores”, diz Raimundo para explicar a mobilização contra a decisão da empresa. 

 

As assembleias

Após meses de dificuldades para reunir e mobilizar trabalhadores por causa do distanciamento social recomendado pelas autoridades sanitárias para conter o avanço do coronavírus, no dia 30 de outubro foi realizada a primeira assembleia, que paralisou a obra desde as 4h30 da manhã.

A adesão foi expressiva, com os cerca de seis mil trabalhadores decidindo junto com os sindicatos sobre as propostas a serem apresentadas à Klabin.

A expectativa para assembleia desta sexta-feira é de aprovação da negociação. “O objetivo foi atingido. Garantir a viagem e o pagamento da passagem. Temos tudo para aprovar o acordo na assembleia e não deverá haver dificuldades na aprovação”, reforça Raimundo Ribeiro Santos Filho, presidente do Sintrapav-PR.

 

A obra

O projeto Puma, que teve início em 2013, agora está sendo ampliado. Duas novas máquinas para a fabricação de celulose estão sendo instaladas no local. A primeira deve ser entregue em 2021 e a outra deve ser concluída em 2023.

De acordo com Raimundo, o investimento é de R$ 9,1 bilhões de reais e vai gerar cerca de 12 mil empregos.


Fonte:  Andre Accarini - CUT / Foto: SINTRAPAV-PR - 06/11/2020


Comentários