Notícia - Sindsep levanta lista de trabalhadores da saúde mortos na pandemia de Covid-19

A má gestão da Prefeitura de São Paulo e do governo do estado em informar a quantidade de profissionais da saúde mortos, doentes ou contaminados pelo Covid-19 fez o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) levantar informações junto a colegas, amigos e familiares nas redes sociais e por meio de matérias publicadas na imprensa.

O Sindsep localizou pelo menos 16 trabalhadores e trabalhadoras da saúde de São Paulo mortos pelo Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus que, no total, já fez 1.230 vítimas fatais no Brasil e contaminou 22.318 pessoas.

Para que não morram ainda mais profissionais, o Sindsep alerta que as autoridades públicas precisam tomar medidas urgentes para proteger os trabalhadores e as trabalhadoras da saúde no estado, como garantir a quantidade suficiente de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), afastar os profissionais que estão nos grupos de risco, idosos ou pessoas com doenças como hipertensão e diabetes, e fazer uma ampla e regular testagem do pessoal da saúde para detectar e tratar rapidamente de quem se contaminou com a Covid-19. 

Em nota publicada em seu site, o Sindisep reafirma a denúncia que vem fazendo desde o início da pandemia: “a condução do enfrentamento à crise por parte da administração municipal de Bruno Covas e do secretário municipal de Saúde Edison Aparecido tem se pautado pelo descaso e pela enrolação na solução da crise dos equipamentos de proteção individual”.

De acordo com a nota ”esse fato se acumula com a ausência de testagem sistemática dos profissionais da saúde para contaminação do coronavírus’.

Para o Sindsep, a situação extremamente grave, mostra a incapacidade dos governos municipal e estadual de proteger os profissionais do setor público da saúde, sejam servidores, trabalhadores das organizações sociais da saúde ou terceirizados.

As denúncias que chegam aos gabinetes, feitas pelo próprio sindicato ou por meio da imprensa que recebe e divulga a situação levantada pelos representantes dos trabalhadores, são respondidas de forma vaga, afirma o Sindesep.

“A Prefeitura Municipal de São Paulo segue se manifestando apenas através de notas vazias falando sobre máscaras cirúrgicas e N95 que nunca chegam na quantidade necessária para uso dentro das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, diz trecho da nota que termina com a lista dos trabalhadores e das trabalhadoras do serviço público de saúde que morreram “diante da incapacidade da prefeitura reagir a tempo para preservar suas vidas afastando todos que faziam parte do grupo de risco do trabalho e garantindo equipamento de proteção adequados e em quantidade apropriada para trabalharem”.

Não vamos esquecer seus nomes:

Gloria (ainda não localizamos sobrenome), técnica de enfermagem do Hospital Municipal Cidade Tiradentes, Cidade Tiradentes.

José Antônio da Boa Morte, técnico de enfermagem em uma empresa de ambulâncias que atendia o serviço de saúde de São Paulo.

Juraci Augusta da Silva, de 72 anos, auxiliar de enfermagem no  Hospital Municipal Carmino Caricchio.

Idalgo Moura dos Santos, de 45 anos, enfermeiro, funcionário da Organização Social de Saúde SPDM, trabalhava no Hospital Municipal Carmino Caricchio – Hospital do Tatuapé.

Eduardo Gomes da Silva, de 48 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Tide Setúbal, funcionário SPDM.

José Alves Galdino da Silva, 38 anos, trabalhador terceirizado da vigilância do Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro (Jardim Iva).

Paulo Fernando Moreira Palazzo, 56 anos, médico clínico, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Marceliane Maciel, de 53 anos, trabalhava na Unidade Básica de Saúde - UBS Sacomã.

Luzanira Odílio, de 61 anos, auxiliar de enfermagem do Hospital Municipal do Campo Limpo.

Maria Elisa Reis de Oliveira, 66 anos, auxiliar de enfermagem municipalizada que trabalhava na UBS Jardim Peri, Cachoeirinha.

Angela Maria Salomão, 64 anos,  agente comunitária de saúde na Unidade Básica de Saúde - UBS Jardim Guairacá, no Jardim Guairacá.

Jaime Takeo Matsumoto, médico ortopedista do Hospital Municipal Tide Setúbal, São Miguel Paulista

Adelia Maria Araujo de Almeida Oliveira, médica pediatra do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, Bela Vista.

Marina Santos, enfermeira do Hospital Municipal de Pirituba, na região de Pirituba e do Hospital Estadual do Mandaqui, Santana.

Elisangela Ferreira, técnica de farmácia AME Maria Zélia, Belenzinho (trabalhadora da saúde estadual).

Carlos Rogério de Carvalho, técnico em enfermagem do Hospital Estadual do Mandaqui, Santana  (trabalhador da saúde estadual).

[Os dados foram coletados até as 22h deste domingo, dia 12]


Fonte:  Redação CUT com informações da assessoria do Sindsep - 13/04/2020


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