Notícia - Cresce mobilização para a greve dos servidores paulistas no dia 18 de março

Os 200 assentos do auditório Paulo Kobayashi, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), no bairro do Ibirapuera, na capital paulista, foram sendo ocupados aos poucos pelos servidores públicos nesta terça-feira (18) para a realização da plenária de organização do Dia Nacional em Defesa do Serviço Público, dos Servidores, Contra a Privatização e o Desmonte do Estado, em 18 de março, quando ocorrerá uma greve geral. 

A plenária dos servidores, marcada no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, no centro da cidade de São Paulo, mudou de local na última hora após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em derrubar liminares que impediam a tramitação da reforma da Previdência estadual paulista na Alesp. As liminares haviam sido concedidas por desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. 

“Nossos grandes sindicatos já aprovaram a greve e alguns realizarão assembleias nas próximas semanas contra a retirada de direitos. E, para além da paralisação, iremos intensificar o diálogo com a população para que ela entenda que os direitos trabalhistas e sociais estão sendo exterminados. Estamos falando da qualidade do serviço público. Quem trabalha e cuida da população não é parasita”, disse o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo. 

Ao lado de Izzo, representantes das demais centrais sindicais - CTB, CGTB, Força Sindical, Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Intersindical Instrumento de Luta e Conlutas também relataram como está a organização da greve em diferentes categorias como a da saúde, educação, saneamento, transporte, judiciário e seguridade social. Um dos encaminhamentos deste encontro foi também a elaboração de um material conjunto que será distribuído nas cidades. 

Deputada estadual Maria Izabel de Azevedo Noronha, a professora Bebel (PT), presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), reforçou que o governo de João Doria e aliados “querem passar o rolo compressor” nos trabalhadores. Segundo ela, todos os esforços serão feitos na Alesp para barrar a reforma da Previdência e outros projetos que retiram direitos. “No dia 18 de março, as escolas, postos de saúde e creches irão fechar. A mobilização dos trabalhadores tem crescido em todo estado”, afirmou. 

Na ocasião, a deputada estadual pela Bancada Ativista em São Paulo, em mandato coletivo, Mônica Seixas manifestou durante os debates apoio à greve dos petroleiros e à organização dos servidores que irão paralisar no dia 18 de março. “Os servidores têm sofrido inúmeros ataques. Mas é importante lembrar que serviço público é o único braço do Estado que chega na população pobre. E quando os servidores públicos estão sendo atacados, o povo pobre é quem está sendo atacado”, pontuou. 

Durante a plenária, os servidores manifestaram também apoio à greve dos petroleiros que chega ao 18º dia. E definiram participação no ato em defesa dos petroleiros e da soberania nacional, que ocorrerá na quinta-feira (20), a partir das 16h30, com concentração no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. 

Ao final do encontro, os servidores ocuparam o plenário Juscelino Kubitschek, na Alesp, durante sessão extraordinária, iniciada às 19h, para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18, de 2019, que, entre as principais mudanças defendidas pelo governo de João Doria (PSDB), propõe o aumento da alíquota de contribuição de 11% para 14% e o aumento da idade mínima para os servidores se aposentarem.

Perto das 22h, mesmo com a tentativa de alguns parlamentares de barrar a votação, a maioria dos deputados da Alesp aprovou, em primeiro turno, a PEC da reforma da Previdência estadual, com 57 votos. Agora, a proposta seguirá para segundo turno. Os parlamentares alinhados ao governo Doria pretendem passar os próximos três dias debatendo a medida. 


Fonte:  Vanessa Ramos - CUT São Paulo - 19/02/2020


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