Notícia - Na segunda rodada de negociação, Sindmotoristas rejeita proposta patronal

 

Seguindo o cronograma de reuniões da campanha salarial, foi realizada a segunda rodada de negociação entre representantes dos trabalhadores e do patronal, na manhã desta segunda-feira (29).

Lamentavelmente, o entendimento pela via do diálogo não aconteceu, as discussões não evoluíram para um acordo, longe disso, a proposta patronal foi rejeitada por unanimidade pela diretoria do Sindmotoristas e pela comissão.

Logo no início, o presidente licenciado do sindicato e deputado federal, Valdevan Noventa, chamou atenção de todos para a relevância da discussão da pauta de reivindicações, a qual considera um momento crucial das negociações.

O assessor jurídico do SPUrbanuss, Pavani Jr, pontuou as cláusulas de ordem social que havia consenso das partes. Com relação a data-base da categoria, 1º de maio, disse que ainda não tinha uma posição, mas adiantou que apresentaria uma proposta referente às cláusulas econômicas e, por isso, seria desnecessária uma terceira reunião. 

Antes de ir direto ao assunto, Pavani Jr voltou a chorar dificuldades, dizendo que a licitação do serviço por transporte por ônibus envolve adequação às novas regras tanto das empresas quanto dos colaboradores, no caso os trabalhadores. Citou a queda no número de passageiros, em 2018, o Poder Público que não repassa o subsídio devido às empresas e que todos têm que entender que o novo contrato de concessão mudará a realidade do sistema. 

O tom pessimista do assessor do SPUrbanuss foi um sinal de que o pior estava por vir. A proposta patronal apresentada é absurda, humilhante e provocativa ao sugerir, entre outras sacanagens: 

– Reajuste salarial de 3,48%, abaixo do índice da inflação do período; 

– Reajuste do ticket ou vale refeição de 3,48%, passando de R$23,00 para R$23,80; 

– Zero de Participação nos Lucros e Resultados (PLR); 

– Jornada flexível, ou seja, a volta do genérico; 

– Intervalo para refeição de 01 (uma) hora, sem remuneração; 

– Regulamentação da dupla pegada; 

– Banco de horas; 

Obs. Benefícios como o vale refeição, cesta básica, entre outros, serão fornecidos de acordo com a produtividade e absenteísmo. O trabalhador receberá o vale refeição por dia trabalhado. A mesma regra se aplica à cesta básica, o subsídio será de 100% atrelado aos dias trabalhados ou faltas justificadas. 

Quanto às cláusulas pertinentes aos trabalhadores do setor da manutenção, às mulheres e outras que não foram citadas, o patronal vetou qualquer possibilidade de negociação, porque envolvem custos adicionais. 

Um clima de indignação e revolta tomou conta do ambiente. Por consenso, os representantes dos trabalhadores rechaçaram a tal proposta ainda na mesa de negociação. 

Noventa não mediu as palavras, mandou um recado duro para que os empresários para revejam sua posição, caso contrário, os condutores vão parar a cidade de São Paulo. 

O secretário geral, Francisco Xavier da Silva (Chiquinho), ressaltou que os empresários descaradamente querem tirar proveito dos trabalhadores. “É inaceitável propor a retirada de produtos da cesta básica que alimenta milhares de famílias. Os patrões precisam pôr a mão na consciência e respeitar os direitos da categoria”. 

O presidente em exercício do Sindmotoristas, Valmir Santana da Paz (Sorriso), disse que os patrões vão respeitar os direitos dos trabalhadores por bem ou por mal. “Eles só entendem quando dói no bolso. Por isso, a paralisação é uma possibilidade que vamos discutir com a categoria”. 

Por fim, o deputado federal Noventa cobrou dos empresários o desconto da contribuição sindical no próximo dia 05 de maio, em respeito a decisão dos condutores aprovada em assembleia. Lembrou ainda que há um parecer jurídico favorável ao sindicato e o não cumprimento é passível de multa, cerca de 5 mil reais por cada trabalhador.


Fonte:  Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo - 02/05/2019


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