Notícia - Centrais lançam abaixo assinado contra a reforma em 2 de abril

Dirigentes das centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central, CGTB, Intersindical e Conlutas) se reuniram na manhã desta terça-feira (26) na sede do Dieese em São Paulo para avaliar os atos do último dia 22 e definir os próximos passos da jornada nacional de luta em defesa da aposentadoria e da Previdência Social. Os sindicalistas reiteraram a disposição de “construir a greve geral”, embora haja consenso de que ainda não chegou a hora de indicar uma data para a paralisação.

O Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência encaminhada por Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional foi considerado por todos como “extremamente positivo”. O secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, declarou que as manifestações da última sexta-feira (22) “superaram as expectativas mais otimistas” e demonstraram uma forte unidade do movimento sindical brasileiro.

Notícias alvissareiras

Foram realizadas manifestações em mais de 120 cidades brasileiras, incluindo as capitais de todos os estados, além do Distrito Federal. No dia o tema Previdência foi o mais comentado no Twitter e, conforme noticiou a jornalista Mônica Bergamo (colunista da Folha de São Paulo) o apoio à proposta do governo “despencou nas redes sociais”.

O destataque coube a São Paulo, onde ocorreram atos em dezenas de cidades. Na capital, os professores fizeram greve, houve uma paralisação relâmpago dos condutores, que travaram a saída dos ônibus na madrugada, os metroviários trabalharam com mensagens em coletes contra a reforma, os operários de São Bernardo do Campo saíram em caminhada pela manhã. O Dia de Luta foi encerrado com uma grande concentração na Avenida Paulista. Participaram mais de 60 mil pessoas.

Em sintonia com as manifestações das centrais os últimos dias da semana propiciaram outras notícias alvissareiras, favoráveis à causa da classe trabalhadora. Os conflitos intestinos no entorno do governo e da reforma, com duelos entre Maia, Bolsonaro e Moro, entre outros, revelaram o crescimento da probabilidade de derrota da reforma ansiada pelos banqueiros, que estão de olho grande nos recursos bilionários mobilizados pelo sistema previdenciário.

Convencer os parlamentares

A prisão sem respaldo legal do ex-presidente Temer, um espetáculo midiático com o qual a Lava Jato tentou abafar um escândalo de R$ 2,5 bilhões, também provocou estragos e divisões no outro campo de batalha, indignando líderes e integrantes do MDB.

Os sindicalistas prometem associar o trabalho de esclarecimento e conscientização das bases com ações unitárias para pressionar e convencer parlamentares a rejeitar o retrocesso travestido de reforma.

Com este objetivo, as centrais aprovaram a organização de uma manifestação unitária no dia 9 de abril no aeroporto de Brasília, ocasião em que os parlamentares serão abordados, “carinhosamente e sem ofensas”, nas palavras de um sindicalista presente à reunião. “Não queremos ofender, mas convencer os parlamentares a não votarem contra os interesses do nosso povo”.

O esforço de esclarecimento das bases deve ser intensificado, com a ocupação de praças e locais públicos, a edição de uma cartilha sobre o tema, panfletagem e conversas ao pé do ouvido nos locais de trabalho e de moradia, além das escolas. “Precisamos informar o trabalhador que já está trabalhando que ele será afetado, o prejuízo não virá apenas para os que estão ingressando no mercado de trabalho”, comentou Wagner Gomes. Os sindicatos ligados à Contag, presentes em quase todas as cidades do país, estão dialogando com prefeitos e autoridades locais sobre os efeitos perversos da reforma para os municípios, sobretudo os mais pobres.

No dia 2 de abril será lançado em São Paulo o abaixo assinado contra a reforma de Bolsonaro. A Calculadora da Aposentadoria do Dieese, que permite ao peão estimar e comparar o tempo para adquirir o direito à aposentadoria e valor do benefício pelas regras atuais e de acordo com a proposta, será usado para evidenciar aos olhos do povo os prejuízos que serão impostos à classe trabalhadora se a reforma for aprovada no Congresso Nacional.


Fonte:  Umberto Martins - Portal CTB - 26/03/2019


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