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Notícia - Em último ato, entidades estudantis celebram vitória e prometem novas mobilizações em 2016
Estudantes pedem a revogação da reorganização da rede de ensino estadual (Foto: Roney Domingos/G1)

No último ato público do ano, entidades estudantis e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) prometeram intensificar as mobilizações em 2016 para garantir representatividade dos alunos na formulação de um projeto de reforma do ensino estadual. Depois de 25 dias de luta dos estudantes, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) veio a público na última sexta-feira (4) suspender a reorganização que seria implementado no próximo ano e anunciar que conversará “escola por escola” sobre o projeto.

Durante o ato, realizado na tarde de hoje (10), no vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, representantes das principais entidades estudantis do estado comemoraram a suspensão da reorganização, em tom de vitória dos estudantes. O projeto do governo estadual previa o fechamento de pelo menos 93 escolas e a transferência compulsória de 311 mil alunos.

"Nós temos muito a comemorar, mas muita coisa por fazer. O ano de 2016 não será fácil: será o ano que os estudantes precisarão estar mobilizados, juntos aos pais e professores, para debater a educação pública e fazer com que essa reorganização jogue ao nosso favor. É uma oportunidade histórica de debater a escola que queremos", afirmou a presidenta da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Ângela Meyer. "Vamos continuar mobilizados. Se o Alckmin acha que acabou porque suspendeu, queremos dizer que não acabou. Ano que vem teremos muitos atos, muitas manifestações e se bobear vamos ocupar ainda mais escolas".

Parte dos estudantes entendem que a suspensão do projeto foi uma vitória parcial, já que o governador apenas suspendeu a reorganização e não a cancelou definitivamente e tampouco apresentou um cronograma de audiências públicas para debater a proposta com alunos, pais e professores. Em sua fala, Alckmin se limitou a dizer que os alunos vão continuar nas escolas que já estudam e que o governo começará a aprofundar esse debate escola por escola, "especialmente com estudantes e pais de alunos".

Na quarta (9), os estudantes realizaram um ato que reuniu pelo menos 15 mil pessoas. Em três horas, os manifestantes percorreram as principais avenidas da cidade, até a Praça da República, na região central, quando o protesto foi duramente reprimido pela Polícia Militar, com bombas de efeito moral.

“O que não contam para a gente é que não é uma reorganização, é um corte de gastos para que cada vez mais população pobre das periferias fiquem fora da escola e das universidades de qualidade. Em 2016 continuaremos lutando para que possamos de fato apresentar um projeto que represente o sonho dos estudantes paulistas de que todo mundo possa ter educação de qualidade”, disse a presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE), Flavia Stefanny. “Vimos a necessidade de nos juntarmos ao movimento dos secundaristas para ajudar a fazer o que os movimentos sociais almejavam há muito tempo, que é impor uma derrota ao governo Alckmin.”

Para a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), o movimento estudantil conseguiu uma grande vitória, que foi a saída do antigo secretário estadual de Educação Herman Voorwald, que pediu demissão logo após o governador anunciar a suspensão do projeto. "Passamos por um período grande de muita luta. Precisamos ocupar muitas escolas e conquistar o apoio da comunidade. É uma vitória inegável. Sabemos que a guerra por uma educação de qualidade não acabou, mas essa batalha nós vencemos", disse o presidente da entidade, Marcos Kauê.

A "reorganização" do ensino público foi elaborada sem diálogo prévio com a comunidade escolar e desencadeou a ocupação de duas diretorias de ensino (Santo André e Sorocaba) e de 208 escolas, segundo o último levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), além de uma série de protestos nas ruas, que foram duramente reprimidos pela Polícia Militar. Pelo menos 11 estudantes foram presos e um policial atirou contra o prédio de uma escola que estava sendo ocupada.

"O ano de 2016 será de muita luta. Se precisar, ocuparemos escolas novamente. Nossa missão será pautar a nova escola do estado de São Paulo. Não dá mais para ela ser retrógrada, com salas super lotadas e professores desvalorizados. Vamos cobrar no dia a dia que a educação pública seja valorizada", disse a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes.

Fonte: Sarah Fernandes - RBA - 11/12/2015
 
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