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Notícia - Os 1.397 demitidos da Santa Casa estão indignados
Fatima Aparecida é consolada pelas colegas; ela trabalhou na empresa por 32 anos. Foto: Almeida Rocha/Diario SP

A lista dos demitidos ainda era mantida sob sigilo até que um a um dos 1.397 funcionários da Santa Casa de São Paulo foram recebendo a notícia: a partir de terça-feira, não faziam mais parte do quadro de funcionários do hospital. Eles formam os 12% dos empregados inclusos no corte da folha de pagamento.

A medida, anunciada em junho quando o médico José Luiz Setúbal foi eleito à Provedoria, é uma das principais para tentar sanar a grave crise financeira do hospital, que acumula dívidas de R$ 800 milhões. Setúbal assumiu o comando da entidade no lugar de Kalil Rocha Abdalla, investigado pelo Ministério Público Estadual por supostas irregularidades em sua gestão, iniciada em 2008.    

"A demissão é uma maneira de enfrentar o problema. É um momento muito delicado, de ruptura, mas isso é ter a coragem de enfrentar o problema financeiro”, justificou o superintendente José Carlos Vilela.

Um dos auditórios do maior hospital filantrópico da América Latina foi reservado para receber os empregados do setor administrativo, técnicos e auxiliares de enfermagem, além dos 184 médicos e 91 enfermeiros  para a assinatura da carta de demissão. Os funcionários recebiam uma senha para aguardar a vez de atendimento. A espera chegava a 40 minutos. 

“A Santa Casa foi o meu único emprego. Eu amava o que fazia.  O meu pai trabalhou aqui como técnico de enfermagem. Ainda pequena eu falava pra ele que queria trabalhar aqui quando crescesse. Um ano depois de ele morrer,  fui contratada”, contou Fátima Aparecida Araújo, de 52 anos. Ela ocupou por 32 anos o cargo de secretária de departamento do hospital. “É uma vida inteira que acaba agora”, lamentou a ex-funcionária, consolada pelas colegas.

Assim como Fátima, a maioria deixava o auditório com um misto de tristeza e indignação. “Agora é a hora de pagar a conta. O problema é que essa dívida veio para os trabalhadores, que a única coisa que fez foi dedicar a vida inteira a essa instituição”, desabafou o fisioterapeuta Heitor Gualberto, 52, há 20 anos funcionário do hospital. “Eu tenho uma fila inteira de pacientes para atender. Com quem eles ficam agora?”, questionou o especialista.

Ao todo, sete dos 13 sindicatos aceitaram parcelar em até 12 vezes a multa de 40% do FGTS, o 13 atrasado de 2014, além do 13º deste ano, férias e outras pendências. O número de meses varia de acordo com o montante da rescisão.


ENTREVISTA/José Carlos Vilela_ superintendente da Santa Casa 

"O 13 deste ano já está 95% garantido com empréstimo"

O superintendente da Santa Casa, José Carlos Vilela, afirmou, ontem, que apesar de descumprir leis trabalhistas, a proposta de pagamento dos funcionários demitidos é mais vantajosa do que entrar na justiça. Ele negocia empréstimo  para pagar 13 de quem fica. 

DIÁRIO_ Dos 13 sindicatos, apenas sete aceitaram as condições de pagamento. O sindicato dos médicos já deu uma resposta negativa. Como fica a situação com quem não aceitar o plano de pagamento ?

JOSÉ CARLOS VILELA_ É legítimo do sindicato não aceitar.  A Santa Casa  apresentou para todos os sindicatos uma maneira de enfrentar o problema. Só que é preciso entender que a palavra final é sempre do funcionário, mesmo se o sindicato for contra. Francamente, a gente acha que é uma proposta boa porque vamos manter como se fosse os salários já a partir do mês que vem.   

A Santa Casa tem de onde tirar os R$ 60 milhões de custas trabalhistas dos demitidos?

Como eu já venho pagando a folha todos os meses, já tenho fundo para fazer o pagamento. O que não vou ter é o valor de uma vez para pagar de acordo com as regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).  

E quanto ao pagamento do 13º salário para os funcionários que permanecem no hospital?

O 13º deste ano ainda não há  caixa, mas estamos negociando com os bancos Bradesco e Santander um empréstimo para fazer esses pagamentos. Eu diria que está 95% este empréstimo.  

O pagamento do 13º do ano passado vai depender da inclusão do hospital na linha de financiamento de hospitais filantrópicos do BNDES?  

Sim. As negociações estão bem adiantadas e é grande a possibilidade do empréstimo de R$ 500 milhões sair ainda neste ano. Os técnicos do BNDES já vieram fazer uma vistoria.

Fonte: Lucilene Oliveira/Diário de SP - 15/10/2015
 
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