Notícia - Reunião de negociação entre reitores e funcionários da USP, Unicamp e Unesp é cancelada e greve continua, diz sindicato

Marcada para ocorrer nesta sexta-feira (13), a reunião entre o Cruesp (Conselho de Reitores da Universidades Estaduais Paulistas, USP, Unicamp e Unesp) e o Fórum das Seis (entidade que congrega representantes de professores, estudantes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp e Centro Paula Souza) foi cancelada no último dia 11.

No dia 11 de junho, o Cruesp havia agendado uma reunião de negociação para as 9h de hoje, condicionando, porém, sua realização à "livre utilização das estruturas físicas" das três universidades.

— Enquanto a comunidade da Usp era informada, via email, do agendamento da reunião, o Fórum das Seis recebia, por telefone, a notícia do seu cancelamento. Mais uma vez, intransigência, diz nota da Adusp (Associação dos Docentes da USP).

Na última segunda-feira (9), a reitoria da Universidade de São Paulo também cancelou reunião de seu Conselho Universitário, órgão máximo de decisão da instituição, para discutir a greve.

O encontro ocorreria no dia 10 de junho, mas foi cancelado soba alegação, por parte da reitoria, de que um piquete de funcionários no prédio em que se encontra sala do Conselho Universitário havia inviabilizada a conversa.  

Manifestação dos reitores

Também nesta semana, o reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), José Tadeu Jorge, manifestou-se na imprensa, alegando nunca ter sido favorável à proposta de reajuste salarial de 0%.

Já Marilza Vieira Rudge, vice-reitora no exercício da reitoria da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e atual presidente do Cruesp, defendeu na imprensa a ampliação do repasse de verbas, por parte do governo estadual, para as universidades estaduais paulistas, e se mostrou à favor da gratuidade do ensino superior público.

O reitor da USP, Marco Antonio Zago, é um dos membros do Cruesp que afirma ser adequado o atual financiamento das universidades, mas insistindo no reajuste salarial de 0% para todas as categorias.

Atos e paralisações

Na última terça-feira (10), funcionários do Hospital Universitário da USP entraram em greve. Porém, os trabalhos serão mantidos por meio de plantões.

Na mesma data, um grupo de manifestantes bloqueou a Estação Butantã de metrô por 20 minutos, após protestar na frente do prédio da reitoria da USP, na Cidade Universitária, zona oeste.

Manifestações de docentes, funcionários e alunos já foram realizadas em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, em frente à reitoria da Unesp, no centro da capital paulista, e em frente à Cidade Universitária.

Na última quarta-feira (11), cerca de 200 manifestantes chegaram a interditar a principal entrada da do campus Butantã, região oeste, em protesto.

Os grevistas fazem reivindicações pela a abertura das negociações, fim do reajuste salarial de 0%, mais verbas para as universidades públicas paulistas e pela transparência das contas das universidades.

A Associação dos Docentes da USP realizará uma nova assembleia no dia 16 de junho. A greve entre os docentes é parcial. Unidades como FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e POLI (Escola Politécnica) continuam os trabalhos.

Histórico                 

As universidades estaduais paulistas estão em greve desde o último dia 27, após o anúncio do Cruesp de que não haverá reajuste salarial nas três instituições.

O congelamento é resultado de uma crise financeira nas universidades anunciada em meados do mês de maio.

Atualmente, os índices de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento da USP, Unicamp e Unesp são da ordem de 105%, 96,3% e de 94,4%, respectivamente.

No dia 29 de maio, a Unesp decidiu suspender 390 contratações de docentes e funcionários previstas para este ano. A normalização da situação só se dará em 2015.

Segundo informe da reitoria da USP encaminhado à comunidade acadêmica na noite do dia 28 de maio, para pagar os salários dos servidores docentes e não docentes e honrar contratos a universidade tem gastado, por mês, R$ 90 milhões acima do que recebe do governo de São Paulo.


Fonte:  R7 - 13/06/2014


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