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Notícia - Sindicatos acusam Autoeuropa de querer pagar sábados como trabalho normal
Sindicatos acusam Autoeuropa de querer pagar sábados como trabalho normal

Sindicatos afetos à CGTP/Intersindical acusaram a Autoeuropa de querer pagar os sábados como trabalho normal, mas a administração da empresa garante que nunca retirou a proposta que prevê o pagamento dos sábados como trabalho extraordinário.

 

Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira em Setúbal, os dirigentes sindicais Eduardo Florindo, do SITESUL, Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, e Rogério Silva, da Fiequimetal, Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas, disseram que os trabalhadores recusam a obrigatoriedade do trabalho ao sábado e exigem o pagamento daquele dia como trabalho extraordinário.

"O SITESUL reafirma que nunca esteve em causa, nem está, a necessidade de se trabalhar ao sábado na Autoeuropa, mas sim as circunstâncias da sua obrigatoriedade, acrescendo o facto de a administração não pretender remunerar o trabalho nesse dia em conformidade com os valores praticados atualmente, como trabalho extraordinário", disse Eduardo Florindo, coordenador do SITESUL.

"O "flash" distribuído [terça-feira] na comunicação interna e assinado pelo diretor de recursos humanos da Autoeuropa vem confirmar aquilo que o sindicato sempre disse: que o sábado é pago como um dia normal de trabalho. Agora está clarinho, não há duvidas em relação a isto, quando o que se dizia na comunicação social era que o trabalho ao sábado seria pago como trabalho extraordinário. E veio a confirmar-se o que sempre dissemos em relação aos sábados", acrescentou o coordenador do SITESUL.

As declarações de Eduardo Florindo em conferência de imprensa realizada na sequência das reuniões efetuadas na terça-feira com a administração da empresa, e esta manhã com a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, foram corroboradas pelo dirigente da Fiequimetal, Rogério Silva, que diz ter havido a assunção, por parte da empresa, de que os sábados seriam pagos como um dia normal de trabalho.

"Na reunião [de terça-feira] connosco, voltámos a perguntar isso à administração [da Autoeuropa] e foi dito que o sábado será pago como um dia normal. Ponto. Para que fique claro de uma vez por todas: na reivindicação que os trabalhadores apresentam - tendo eles disponibilidade para trabalhar aos sábados -, está implícito nessa disponibilidade o pagamento como trabalho suplementar tal como hoje é praticado na Autoeuropa", frisou Rogério Silva.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Autoeuropa garantiu que o horário transitório comunicado em dezembro pela empresa, para vigorar entre finais de janeiro e julho deste ano, e prevê cinco dias de trabalho com uma folga fixa ao domingo e uma folga rotativa durante a semana, contempla o pagamento dos sábados como trabalho extraordinário (com um acréscimo de 100% em relação a um dia normal de trabalho).

Além da remuneração dos sábados como trabalho extraordinário e de um aumento salarial não inferior a 50 euros por mês, os sindicatos reclamam ainda que o trabalho ao sábado seja voluntário e não obrigatório, e lembram que os trabalhadores da Autoeuropa, mesmo neste regime de voluntariado, nunca se recusaram a fazer sábados sempre que tal foi necessário.

A administração da Autoeuropa só admite negociar com a Comissão de Trabalhadores, mas, na reunião de terça-feira, os sindicatos afetos à CGTP também apresentaram um conjunto de propostas que, esperam, poderão vir a ser discutidas durante as negociações entre trabalhadores e a administração da fábrica de automóveis de Palmela.

Na conferência de imprensa realizada em Setúbal, os sindicalistas defenderam ainda a criação de uma segunda linha de montagem na Autoeuropa e acusaram alguns comentadores de falarem de uma possível deslocalização da produção da fábrica de Palmela, acrescentando que esse cenário não se coloca neste momento e que já foi afastado pela própria administração do grupo Volkswagen na Alemanha.

Quanto à possibilidade de vir a ser convocada uma nova greve na Autoeuropa, os sindicalistas da CGTP não excluíram essa possibilidade, mas lembraram que está em curso um processo negocial e que qualquer decisão nesse sentido terá de merecer uma nova apreciação em reuniões plenárias de trabalhadores.


Fonte: JN - 11/01/2018
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