Notícia - "A pandemia deixou explícitas as desigualdades sociais e educacionais"

No dia de ontem, os professores receberam felicitações vindas de várias partes da sociedade, principalmente de pais e alunos que reconhecem e valorizam a importância da função docente. Todos os anos, além dos parabéns são repetidos a exaustão os temas de desvalorização do professor no Brasil, bem como a situação de descaso que se arrasta há anos nas escolas estaduais de São Paulo. Mas em 2020, o contexto que já era difícil ganhou novos complicadores com a necessidade das aulas online.

A presidenta da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) a deputada Estadual pelo PT, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, destacou, em vídeo postado no site da instituição, que a pandemia aumentou a precarização do trabalho dos professores.

“A pandemia deixou explícitas as desigualdades sociais e, por conseguinte, as educacionais. A secretaria da educação, ao invés de fazer a inclusão digital na forma de cursos, oferecer instrumentos, cooperação com as operadoras, jogou tudo nas costas de professores e alunos”.

Dados da Plataforma de Apoio Psicológico para Profissionais da Educação mostram que, entre os 269 atendimentos prestados em 17 estados brasileiros, 90% foram de mulheres. Em sua maioria, negras, educadoras no ensino fundamental e moradoras de regiões periféricas Os dados também indicam que a cidade de São Paulo concentrou 70% de toda a demanda.

Volta às aulas

Em São Paulo, o processo de reabertura das escolas “fracassou”, afirmou Bebel. Segundo ela, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, dois fatores impulsionaram a decisão pela reabertura, a pressão das escolas privadas e a proximidade das eleições municipais. É o “poder econômico” que manda no estado de São Paulo, disse.

O governo de João Doria (PSDB) havia autorizado o retorno às aulas presenciais a partir do último dia 7, nas cidades que estivessem há pelo menos 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo. Contudo, pelo menos 306 dos 645 municípios do estado já definiram que as atividades presenciais só serão retomadas em 2021.

Descaso do Governo

Não dá para esperar muito de um governo que ataca o educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Não bastasse isso, e os tantos absurdos ditos e feitos pelo ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, recentemente o atual ministro, Milton Ribeiro, afirmou: “hoje, ser professor é ter quase uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”.

Para o próximo ano o governo prevê redução de 21% nos recursos dos programas de educação profissional e tecnológica e 7% nas rubricas inscritas como educação básica de qualidade. Isso porque o MEC não utilizou os recursos disponíveis neste ano.

Filme:

Abraço: a única saída é lutar

O filme, disponível desde ontem – Dia do Professor -, em diversas plataformas, narra a mobilização de professores do Sergipe, em 2008, em defesa de direitos.

Dirigido por DF Fiuza, o longa foi bancado com recursos do Sintese (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe), entidade que representa 12 mil professores. A obra também celebra os 40 anos do sindicato.

O roteiro tem um tom ficcional, embora trate de um assunto real. Giuliana Maria é Ana Rosa, uma professora dividida entre o ativismo e a rotina doméstica. Ela sofre, inclusive, oposição da família por querer participar de atividades sindicais.

Como assistir

O filme pode ser assistido ainda nas plataformas digitais cinemavirtual.com.br looke.com.br. A partir do dia 29, estará disponível também em plataformas digitais (streaming) como Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play e Youtube Filmes.

 

 


Fonte:  Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - 16/10/2020


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