Notícia - Centrais Sindicais e Dias Toffoli, presidente do STF, afirmam em videoconferência que o país está sem perspectivas

“Estamos há dois meses sem perspectiva, essa é a verdade”, afirmou nesta terça-feira (19) o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. A declaração foi feita durante a videoconferência realizada com presidentes de seis Centrais Sindicais onde, entre outros temas, se falou sobre desemprego, combate ao coronavírus e crise econômica. “O cenário do Brasil de hoje é de colapso”, reiterou Adilson Araújo, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) que esteve presente à reunião virtual.

Também participaram da webconferência representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral de Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central dos sindicatos Brasileiros (CSB). Clemente Ganz, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Celso Napolitano, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), também estiveram presentes ao encontro.

Falta de coordenação e ambiente de caos

“Falta coordenação, falta orientação, faltam medidas que nos dêem tranquilidade”, afirmou Toffoli em declaração reproduzida no site do STF. Adilson Araújo enfatizou a indignação das Centrais: “Falta governo, faltam políticas públicas, e a inexistência de uma coordenação de governo coloca o país à deriva”. 

Nesta segunda-feira (18), onze centrais sindicais lançaram a campanha “Fora Bolsonaro” que defende a saída de Jair Bolsonaro da presidência da República. “Somos o epicentro da crise e sem um compromisso amplo da sociedade, e com o governo insistindo em ser um ponto fora da curva, o país poderá mergulhar numa crise jamais assistida na nossa história”, argumentou Adilson.

Colapso e caos, foram as palavras utilizadas pelo dirigente da CTB para definir a atual conjuntura durante a conferência virtual. “O governo é negligente diante dos graves problemas estruturais do país, a economia fadiga e sinaliza para uma depressão, e o desemprego em massa e a escalada da pobreza, na medida que falta assistência aos desamparados, sinaliza para um ambiente de caos”.

Governo ignora pico da pandemia e pressiona pelo fim do isolamento  

De acordo com Adilson, os representantes das Centrais apontaram ao ministro preocupação com a pressão que o governo federal e segmentos de empresários fazem contra governos municipais e estaduais pela suspensão do isolamento social e liberação de atividades não essenciais. “Querem fazer a toque de caixa, em pleno pico da pandemia”. Segundo Adilson, as Centrais alertaram Dias Toffoli de que não resta outro caminho que não seja o de constituir “uma grande aliança com o povo para salvar o país”.

Soluções devem ser discutidas no âmbito político

Ainda na reportagem publicada no site do STF, Dias Toffoli disse estar “convicto de que a sociedade, tendo os sindicatos como representantes dos trabalhadores, deve apresentar uma proposta”. O ministro também ressaltou que o Ministério da Economia pode contribuir mais e deve ser acionado pelas Centrais considerando que a pasta acumulou áreas importantes como Trabalho, Previdência e Indústria e Comércio.

Dias Toffoli ainda destacou que a política deve ser o espaço para a discussão das soluções. “Não há outro caminho que não seja pela política”. O ministro lembrou que a atuação do STF tem buscado garantir os direitos sociais e individuais, sempre respeitando o Parlamento.


Fonte:  Railídia Carvalho - CTB / Com informações do Portal STF - 20/05/2020


Comentários