Notícia - Educação marcha em São Paulo e exige que prefeito receba grevistas

Mais de 200 trabalhadoras e trabalhadores da rede municipal de São Paulo realizaram um protesto nesta quinta-feira (20/5), quando a Greve pela Vida atinge 100 dias de paralisação, para pressionar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o secretário de Educação, Fernando Padula, uma negociação sobre a greve frente as mais de 100 mil vidas perdidas para a Covid em São Paulo.

Iniciado às 10h, em frente a Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, com música, fanfarra de um grupo de professores, pirulitos, cartazes e grande faixas, o protesto pacífico, e que seguiu todas as recomendações sanitárias, reivindicou teste do tipo RT-PCR contínuo para profissionais e estudantes, vacinação da comunidade escolar pelo SUS, fornecimento de EPIs, entrega de tablets com internet aos estudantes, contratação de mais profissionais para as escolas, adequação estrutural das unidades escolares e retorno das aulas presenciais com segurança sanitária após a queda da curva de contaminação e mortes, conforme orienta a Fiocruz.

A mobilização não minimizou a crítica sobre o governo pelo crescimento de contaminações e mortes na categoria. Em contrapartida ao descaso, uma grande faixa carregada pelos profissionais afirmava: “Há 100 dias salvando vidas”.

“Queremos avançar nas negociações, prefeito! Receba os trabalhadores/as, escute as propostas. A cidade tem condições de avançar num ensino remoto emergencial e a retomada às aulas presenciais seja feita em segurança. O governo estadual já anunciou um calendário de negociação mas muito distante do que é reivindicado”, anunciou João Gabriel Buonavita, vice-presidente do Sindsep.

Profissionais de Educação subiram o tom durante a manifestação, que durou cerca de quatro horas. “Respeitem os trabalhadores, prefeito, secretário Padula! Queremos condições seguras para trabalhar nessa situação de pandemia que está há mais de ano. O que estamos pedindo deveria estar sendo oferecido”, ressaltou um professor.

Sérgio Antiqueira, presidente do Sindsep, criticou a falta de diálogo por parte da gestão municipal desde o início da greve, em 10 de fevereiro. “Viemos aqui para dialogar ‘olho no olho’ o que essa gestão não cumpriu até agora. Se estamos há 100 dias em greve, a culpa é dessa gestão, assim como as mortes são responsabilidade dessa gestão. Estamos aqui para fazer um pacto pela vida, para defender a vida dos trabalhadores, das crianças, dos familiares”.

Diferente de paralisações anteriores, os dirigentes lembraram que a greve da Educação não tem caráter corporativo. “Chega de pressão sobre os trabalhadores da Educação, de assediar gestores das escolas, de cortar ponto. Nós queremos salvar vidas e nos sentimos orgulhosos de ter poupado muitas vidas nesses 100 dias”, frisou Maciel Nascimento, secretário de Formação dos Trabalhadores da Educação do Sindsep.

Indignado, Maciel Nascimento disse que é impossível suspender a greve para negociar, em referência ao que o governo teria indicado numa das poucas reuniões realizadas desde o início da greve com os representantes sindicais da categoria. O dirigente também criticou o corte de ponto dos trabalhadores em greve, que além de ferir o direito constitucional à greve, ganha maior gravidade na crise sanitária enfrentada.

No trajeto de aproximadamente 10 quilômetros, entre a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria Municipal de Educação, os grevistas seguiram em marcha dialogando com a população. Próximo da Vergueiro, uma rápida parada foi feita em frente ao Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). Flávia Anunciação, dirigente do Sindsep, pediu uma salva de palmas aos trabalhadores/as do HSPM, hospital ameaçado de terceirização, seguido de um minuto de silêncio em homenagem aos trabalhadores mortos pela Covid.

Em frente à Secretaria Municipal de Educação, trabalhadoras dos comandos de greve de todas as regiões de São Paulo reafirmaram a continuidade da greve e anteciparam novas mobilizações até o final do mês.

Entidades pedem audiência

O Sindsep e demais entidades representantes das/os trabalhadoras/es da Educação também encaminharam esta tarde ofício (16/2021) ao prefeito Ricardo Nunes pedindo o agendamento urgente de reunião com o Forum das Entidades.

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Fonte:   Sindsep-SP - 21/05/2021


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