Notícia - Petrobrás negligencia e casos de Covid-19 explodem em refinaria na Bahia

Sem testes, sem transparência de dados e informações, sem higienização nos locais de trabalho e em áreas comuns e com desrespeito ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), a Petrobrás continua negligenciando a saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras da estatal. Isso tem levado a uma explosão de casos de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, em Refinarias como a Landulpho Alves (Rlam), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia.

A partir de informações da gerência do departamento de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Petrobrás no Rio de Janeiro, o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindpetro Bahia) conseguiu organizar um mapa de trabalhadores contaminados pela Covid-19 e o resultado assustou: já são 24 casos confirmados da doença na Rlam.

De acordo com o Coordenador-Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e trabalhador da Rlam, Deyvid Bacelar, a subnotificação e a falta de transparência em relação ao número de trabalhadores infectados pelo novo coronavírus no ambiente de trabalho têm sido uma constante na relação da empresa com os sindicatos, com a FUP, com a imprensa e com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).

A Norma Regulamentadora (NR5) e cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria petroleira, que obrigam a direção da empresa a fornecer à CIPA informações sobre os dados epidemiológicos dos trabalhadores, estão sendo desrespeitadas, afirma o dirigente.

“A negligência com a saúde e com a vida dos trabalhadores têm sido uma marca da atual gestão da estatal e a subnotificação de casos de Covid-19 na companhia é hoje um fato comprovado”, diz Deyvid se referindo ao comando da estatal feito por Roberto Castello Branco.

Segundo ele, o mais grave foi a insistência das gerências da Petrobrás em manter um grande número de pessoas em suas áreas, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica o isolamento social e a manutenção da distância de no mínimo um metro e meio entre as pessoas, como formas mais eficazes para prevenir e combater o vírus, já que não existe vacina ou medicamento.

“Castello Branco segue à risca a irresponsabilidade do Governo Bolsonaro, que já sabia sobre o avanço da pandemia na Petrobrás e nada foi feito sem que houvesse muita pressão dos sindicatos”, ressaltou Deyvid, se referindo aos relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que foram enviados ao governo federal alertando sobre o avanço da Covid-19 na estatal.

O fato foi denunciado por uma reportagem do Jornal Estado de São Paulo, no dia 17 de Junho, com documentos de 950 páginas e que revelaram que, em um intervalo de apenas nove dias, 872 trabalhadores foram infectados em unidades da empresa.

Desde março, quando foi anunciada a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, os sindicatos têm cobrado e exigido medidas de proteção de saúde e segurança dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás para evitar a proliferação da doença e assegurar a vida da categoria. 

“Até onde a gente sabia, tinham 4 casos de trabalhadores e trabalhadoras da Rlam contaminados e, desde março, o sindicato vem recebendo denúncias de trabalhadores angustiados, informando sobre colegas contaminados”.

“Também recebemos fotos de banheiros sujos, sem sabão ou toalha de papel, de relógios de pontos e de refeitórios com aglomeração de trabalhadores, principalmente terceirizados. Além de relatos de falta de álcool em gel e de máscaras e de ônibus circulando com a lotação completa”, denuncia o dirigente. 

Falta de testes

Deyvid também desmente que a Petrobrás esteja testando os trabalhadores e as trabalhadoras, como a direção da estatal tem dito. Segundo ele, os sindicatos também estão pressionando pela testagem em massa. “A Petrobrás divulgou que estava fazendo testes, mas nas refinarias estes testes ainda não chegaram e a gente está pedindo que as pessoas sejam testadas de 14 em 14 dias para garantir a segurança dos trabalhadores e da vida de seus familiares”.

Volta aos trabalhos com aumento de casos

As refinarias em todo país não pararam de trabalhar em nenhum momento, porém com número reduzido de trabalhadores e trabalhadoras. Alguns profissionais da Petrobras estão em home office, mas já foi anunciado um planejamento para retomada das atividades presenciais.

Para o coordenador-Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, “ao retomar as atividades presenciais em um momento em que a curva de contaminação do vírus se encontra em um patamar ascendente, a direção da Petrobrás está assumindo o risco da morte de seus trabalhadores, o que, portanto, pode ser visto como um genocídio”.

O que os sindicatos têm feito

Segundo o coordenador-geral da FUP, os sindicatos da categoria têm denunciado a negligência da empresa para vários órgãos, como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Superintendência do Trabalho, os Centros de Referência da Saúde do Trabalhador (CRST) em diversas regiões do país e até para a imprensa.

Além disso, ele ressalta que mesmo as poucas ações de segurança e proteção que a Petrobras vem colocando em ação só foram possíveis devido a cobrança e luta dos sindicatos.

“A estatal agiu muito tarde, depois que muitas pessoas já tinham sido contaminadas e ainda porque os sindicatos cobraram e denunciaram a gestão da Petrobras. E ainda distribuíram máscaras de proteção da pior qualidade e aí foi outra luta”, conta Deyvid.

O dirigente também citou a greve sanitária que o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo está articulando. Segundo Deydiv, o diretor da entidade, Wallace Ouverney, não está descartando um movimento por tempo indeterminado, em vez de um único dia de paralisação.

“Lá o problema é o alto índice de contaminação na plataforma P-58 e o povo está com medo de trabalhar e o sindicato está discutindo maneiras das pessoas não ficarem doentes e nem morrerem por causa da negligência da empresa. Se não pararem por protesto, podem parar por falta de trabalhadores que estarão contaminados”, explica.

Infectados pela Covid-19 na Bahia

24 casos na RLAM

3 casos na Unidade de Araças (trabalhadores próprios)

1 na Unidade Taquipe (terceirizado)

1 na Estação Vandemir Ferreira (trabalhador próprio)

3 na Transpetro de Madre de Deus (três vigilantes - terceirizados)

1 na Transpetro Itabuna (terceirizado)

1 no Torre Pituba de um trabalhador lotado na RLAM (trabalhador próprio)

3 na termoelétrica Arembepe

1 na termoelétrica Muricy (assintomático)

1 na Plataforma de Manati (vigilante terceirizada)

1 na Unidade OP-CAN

Morte

Os sindicalistas falam que um trabalhador da Halliburton morreu por  complicações da Covid-19. Ele era do Rio de Janeiro e estava de passagem pela Bahia prestando serviço à Petrobrás. Johnny de Carvalho Mafort, tinha 36 anos e faleceu no Hospital Aeroporto.


Fonte:   Érica Aragão - CUT - 22/06/2020


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